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O consumidor paulistano manteve percepção positiva em relação ao futuro da economia, mas demonstrou maior preocupação com a situação financeira atual em maio. É o que aponta o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), divulgado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que registrou recuo de 0,4% no mês, passando de 121,1 pontos, em abril, para 120,6 pontos. Na comparação com maio de 2025, porém, o indicador avançou 7,9%, mantendo-se em patamar considerado elevado. Segundo a FecomercioSP, o cenário atual é influenciado pela taxa básica de juros em 14,5% ao ano e pela inflação de serviços ainda pressionada, fatores que tornam o crédito mais caro e levam o consumidor a adotar comportamento mais cauteloso.

Índice de Confiança do Consumidor (ICC)
Série histórica (13 meses)

Fonte: FecomercioSP

O levantamento mostra diferenças entre a percepção sobre o presente e as expectativas para os próximos meses. O Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), que mede a avaliação da situação econômica no momento, caiu 5,6% em maio, passando de 119,1 para 112,4 pontos. Já o Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), que avalia a perspectiva futura, avançou 2,9%, atingindo 126 pontos.

De acordo com a FecomercioSP, os consumidores seguem comprando, mas passaram a pesquisar mais preços, planejar gastos e adiar aquisições de maior valor, principalmente as dependentes de financiamento e parcelamento.

A percepção mais negativa sobre as condições atuais foi registrada entre consumidores com 35 anos ou mais, mulheres e famílias de maior renda. Em contrapartida, jovens com menos de 35 anos apresentaram maior otimismo em relação aos próximos meses.

A entidade também avalia que programas de renegociação de dívidas, como o novo Desenrola Brasil, podem contribuir para melhorar as expectativas das famílias, embora os efeitos sobre o consumo ainda dependam da adesão ao programa e da capacidade de pagamento dos consumidores.

Consumo perde ritmo, mas segue positivo

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), também apurada mensalmente pela FecomercioSP, registrou queda de 0,2% em maio, atingindo 113,2 pontos. Foi o terceiro recuo consecutivo do indicador na margem. Apesar disso, o índice permanece acima dos 100 pontos, faixa considerada de predisposição ao consumo, além de acumular alta de 8,6% na comparação anual.

Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF)
Série histórica (13 meses)

Fonte: FecomercioSP

Segundo a federação, o mercado de trabalho continua sustentando o consumo. O componente emprego atual subiu 2,6% no mês, alcançando 142,4 pontos, enquanto o indicador de renda atual avançou 0,9%, chegando a 140,3 pontos.

Por outro lado, itens mais dependentes de crédito apresentaram retração. O indicador que mede o momento para aquisição de bens duráveis caiu 5,8%, atingindo 80,9 pontos, nível considerado de pessimismo. O acesso ao crédito também recuou 1%.

Para a FecomercioSP, o cenário indica desaceleração gradual do consumo, sem interrupção abrupta das compras. A tendência é de maior concentração em itens essenciais e de menor comprometimento financeiro.

A entidade observa ainda que segmentos do varejo mais dependentes de parcelamento, como eletrodomésticos, eletrônicos e veículos, tendem a enfrentar maior volatilidade na demanda, enquanto setores ligados ao consumo cotidiano e serviços essenciais podem apresentar desempenho mais estável.


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