Dados coletados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostram que o endividamento das famílias da capital paulista chegou a 72,9% em abril, o maior porcentual registrado nos últimos três anos. O índice ficou acima dos 71,1% observados em março e dos 70,2% registrados no mesmo período de 2025. Atualmente, cerca de 3,28 milhões de lares paulistanos possuem algum tipo de dívida. Análise realizada pela FecomercioSP aponta que o avanço do endividamento reflete os impactos da inflação sobre o orçamento familiar, principalmente diante da alta nos preços de alimentos e combustíveis. O cenário levou muitas famílias a recorrerem ao crédito para custear despesas básicas do dia a dia. Apesar do mercado de trabalho ainda aquecido evitar um agravamento mais acelerado da situação, a pressão sobre as finanças domésticas continua crescendo.
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC)
12 meses

Fonte: FecomercioSP
O cartão de crédito permanece como a principal modalidade de dívida entre os consumidores paulistanos, presente em 79,6% dos casos. O crescimento do endividamento ocorreu em todas as faixas de renda. Entre as famílias que recebem até dez salários mínimos, o índice passou de 74,5% para 76,3%. Já entre aquelas com renda superior a dez salários mínimos, o porcentual subiu de 61,3% para 63,1%.
O levantamento também revela que as famílias estão buscando crédito de prazo mais curto. O tempo médio de comprometimento com dívidas caiu de 7,5 meses para 6,8 meses na comparação anual, enquanto aumentou a participação de dívidas com vencimento em até três meses, movimento associado principalmente ao uso do cartão de crédito. Segundo a FecomercioSP, esse comportamento indica que parte da população está utilizando crédito para despesas imediatas, como alimentação e contas básicas, e não para aquisição de bens de maior valor.
A inadimplência permaneceu relativamente estável em abril, atingindo 21% das famílias da capital paulista, o equivalente a 946 mil lares com contas em atraso. Entre essas famílias, 9,1% declararam não ter condições de quitar as dívidas. O tempo médio de atraso também aumentou, passando de 60 para 66,6 dias. Ao mesmo tempo, cresceu a intenção de contratação de novo crédito nos próximos três meses, especialmente para consumo cotidiano, o que, segundo a Federação, pode manter o ciclo de endividamento nos próximos meses.
Na avaliação da FecomercioSP, a conjuntura ainda está distante de uma crise, mas a combinação entre inflação persistente, expansão do crédito de curto prazo, maior tempo de atraso das dívidas e elevado nível de endividamento exige atenção. A Entidade também considera que medidas de renegociação, como o Desenrola 2.0, possuem efeito limitado e defende ações voltadas à redução dos juros ao consumidor, ampliação da educação financeira e fortalecimento da renda das famílias.
























