O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, registrou queda de 1% em abril, na comparação com março, após ajuste sazonal. Com 105,6 pontos, o indicador interrompeu uma sequência recente de alta e sinalizou maior cautela entre os empresários do varejo.
O recuo foi puxado pela piora das expectativas para os próximos meses, que caíram 2,3%. De acordo com a CNC, o ambiente de incerteza foi influenciado por fatores externos e domésticos, como as tensões entre Estados Unidos e Irã, que pressionaram os preços internacionais do petróleo e elevaram os custos de combustíveis, além de ampliar dúvidas sobre inflação e política monetária.
Para José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, o cenário exige cautela. “O comércio brasileiro tem demonstrado uma resiliência notável, sustentada pela força do mercado de trabalho e pela recuperação da renda real. Contudo, o momento exige cautela e serenidade. O aumento da incerteza externa e as pressões inflacionárias globais demandam um ambiente interno de previsibilidade e estabilidade”, avalia.
Investimentos e emprego desaceleram
A maior insegurança em relação ao cenário econômico (-3,1%) impactou diretamente a intenção de investimentos, que recuou 0,9% em abril. A disposição para contratação de funcionários também caiu 1,8%, refletindo um movimento mais defensivo por parte das empresas.
A economista Catarina Carneiro ressalta ainda que decisões envolvendo custos fixos tendem a ser adiadas. “Decisões que envolvem custos rígidos, como a ampliação do quadro de pessoal, tendem a ser postergadas em momentos de incerteza”, destaca. Ela acrescenta que o ambiente eleitoral contribui para essa postura mais conservadora.
Apesar do cenário mais cauteloso em relação ao futuro, a avaliação das condições atuais do comércio avançou 1,1% no mês. O desempenho é atribuído à resiliência da renda real das famílias, sustentada pelo mercado de trabalho e pela desaceleração da inflação em períodos anteriores.
Entre os segmentos, o setor de bens duráveis — como eletrônicos, móveis e veículos — apresentou a maior queda mensal (-1,4%), embora ainda registre alta de 3,9% na comparação anual. Já os bens não duráveis, como supermercados e farmácias, mantiveram estabilidade ou leve melhora (+1%), influenciados pelo caráter essencial desses produtos.
O Icec é um indicador antecedente calculado mensalmente pela CNC com cerca de seis mil empresas em todas as capitais brasileiras. A escala varia de 0 a 200 pontos, sendo 100 o nível de neutralidade.





















