Empresas brasileiras enfrentam dificuldades para crescer de forma consistente, mesmo em um cenário de atividade econômica moderada. Sem levar em consideração os fatores externos atuais, como juros elevados e crédito restrito, o principal problema apontado é que parte relevante dos obstáculos está dentro das próprias organizações, especialmente na forma como a liderança conduz estratégia, comunicação e gestão de pessoas.
A falta de clareza na liderança aparece como um dos principais entraves. Segundo Carla Martins, vice-presidente do SERAC, muitas empresas iniciam o ano com metas definidas, mas sem direção prática para alcançá-las. “Não existe crescimento consistente sem clareza”, alerta. “Muitos líderes começam o ano com objetivos ambiciosos, mas sem entender exatamente onde estão e o que precisa ser ajustado para chegar lá”. Esse cenário leva a decisões desconectadas, retrabalho e perda de produtividade.
Além da definição de prioridades, a comunicação interna é apontada como fator crítico para a execução. De acordo com a psicóloga e empresária Fernanda Tochetto, falhas na forma como as informações circulam dentro das empresas comprometem diretamente os resultados comerciais. “Pessoas trazem o resultado. E é através delas que precisamos ter, de uma forma muito clara, a nossa comunicação para estabelecer resultados”, defende. Em sua opinião, equipes desalinhadas interpretam metas de maneira diferente e perdem consistência na entrega.
Outro ponto relevante está na forma como os colaboradores são reconhecidos no ambiente de trabalho. A especialista em diversidade e inclusão Cris Kerr destaca que a valorização não pode ser padronizada. “A inclusão se fortalece quando a liderança compreende que cada pessoa carrega motivações, expectativas e formas distintas de perceber a valorização”, afirma. Ela acredita que o erro mais comum das lideranças é aplicar o mesmo modelo de reconhecimento para todos, o que reduz o impacto das ações.
Os três fatores — clareza estratégica, comunicação eficiente e gestão individualizada das pessoas — aparecem de forma recorrente nas análises como determinantes para o desempenho das empresas. Quando não estão alinhados, geram insegurança nas equipes, dificultam a execução e comprometem os resultados ao longo do tempo.
Organizações que conseguem avançar com consistência são aquelas que transformam estratégia em prática, estabelecem prioridades claras e mantêm um ambiente interno estruturado. “Empresas não deixam de crescer por falta de esforço. Elas travam porque não têm direção. Quem tem clareza constrói. Quem não tem, apenas reage”, afirma Carla.
A tendência é que a relação entre liderança, cultura organizacional e desempenho ganhe ainda mais relevância nos próximos anos. Negócios que estruturam seus processos internos tendem a operar com maior eficiência, enquanto aqueles que mantêm falhas de gestão continuam enfrentando dificuldades para transformar o planejamento em resultado.






















