O consumo das famílias brasileiras deve desacelerar no segundo trimestre de 2026, segundo levantamento do IBEVAR-FIA Business School. O estudo aponta que juros elevados, restrição de crédito e aumento da inadimplência têm reduzido o poder de compra e levado o consumidor a adotar uma postura mais cautelosa.
As projeções indicam queda de 1,59% no varejo ampliado em relação ao trimestre anterior e recuo de 0,09% na comparação anual. O indicador inclui segmentos como veículos e materiais de construção. No varejo restrito, a tendência também é de retração no curto prazo, refletindo a perda de renda disponível e o encarecimento do crédito.
A análise por segmentos mostra um desempenho desigual, com predominância de resultados negativos. Áreas como artigos farmacêuticos, móveis, eletrodomésticos e automóveis ainda registram crescimento moderado, enquanto setores ligados a bens não essenciais apresentam quedas mais acentuadas, sinalizando priorização de despesas básicas pelas famílias.
No setor de serviços, a variação média projetada é de 0,2% frente ao trimestre anterior. O dado, porém, esconde um movimento mais amplo de enfraquecimento: dos 32 segmentos avaliados, 22 devem apresentar retração. O crescimento permanece concentrado em áreas específicas, como saúde e entretenimento.
O estudo caracteriza o momento como de consumo defensivo, marcado por decisões mais seletivas e adiamento de compras de maior valor. As taxas de juros nas operações de crédito para pessoas físicas, acima de 60% ao ano, somadas ao avanço da inadimplência, têm pressionado o orçamento das famílias.
Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, afirma que o cenário impõe desafios adicionais às empresas. “O segundo trimestre de 2026 deve impor desafios relevantes às empresas, que precisarão competir por uma parcela menor da renda disponível dos consumidores”, avalia. E alerta: “O ambiente exige maior eficiência, estratégias mais assertivas e capacidade de adaptação a um mercado marcado por menor apetite ao consumo e maior sensibilidade a preço”.






















