A eventual substituição da escala 6×1 por uma jornada semanal de 40 horas pode provocar redução na geração de riqueza do varejo brasileiro no curto prazo. A estimativa consta em estudo do IBEVAR – FIA Business School, que projeta queda entre 3,6% e 6,1% no valor adicionado das operações, a depender do segmento e do porte das empresas.
O valor adicionado corresponde à riqueza efetivamente criada pelas empresas, calculada pela diferença entre o que vendem e o que compram de outras companhias. O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma dessas riquezas geradas por todos os setores da economia.
Como os segmentos analisados representam cerca de 7% do PIB nacional, o impacto agregado mínimo estimado seria de 0,32 ponto percentual no curto prazo, mantidas as premissas do levantamento.
Premissas consideradas
O estudo parte das seguintes hipóteses:
- Redução da jornada de 44 para 40 horas semanais
- Queda de 9,1% no total de horas trabalhadas
- Produtividade constante no curto prazo
- Estrutura de capital inalterada (lojas, equipamentos e sistemas)
- Nível de emprego mantido
De acordo com a análise, se as horas trabalhadas diminuem e não há aumento imediato de produtividade ou investimento para compensar, a geração de riqueza tende a recuar.
Impacto por segmento
Os efeitos variam conforme o peso do trabalho na operação de cada setor.
Supermercados
- Pequenas lojas: −5,9%
- Grandes redes: −5,0%
Material de construção
- Pequenas lojas: −5,6%
- Grandes redes: −4,7%
Material de escritório
- Pequenas lojas: −5,5%
- Grandes redes: −4,6%
Informática e comunicação
- Pequenas lojas: −5,3%
- Grandes redes: −4,4%
Automóveis
- Pequenas concessionárias: −5,0%
- Grandes redes: −4,1%
Combustíveis e lubrificantes
- Postos independentes: −4,6%
- Redes estruturadas: −3,6%
Tecidos, vestuário e calçados
- Pequenas lojas: −6,1%
- Grandes redes: −5,0%
Móveis e eletrodomésticos
- Pequenas lojas: −5,5%
- Grandes redes: −4,6%
Segundo o levantamento, empresas de menor porte tendem a registrar impacto proporcionalmente maior, uma vez que dependem de forma mais intensa da força de trabalho direta na operação diária. Grandes redes, por contarem com maior escala, tecnologia e capital investido, apresentam perdas relativamente menores, embora ainda relevantes.
O estudo ressalta que a análise não contempla eventuais ganhos de produtividade no médio prazo, reorganizações operacionais ou tecnológicas, contratações adicionais para compensar a redução de jornada, nem alterações na demanda do consumidor. Trata-se, portanto, de uma estimativa do impacto imediato, sem ajustes estruturais.
Para Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, a mudança na escala de trabalho 6×1 tem implicações que vão além da esfera trabalhista. No curto prazo, a redução das horas trabalhadas tende a diminuir a geração de riqueza no varejo, com reflexos mensuráveis no PIB. “O debate sobre a jornada de trabalho, portanto, envolve não apenas questões sociais, mas também efeitos econômicos diretos sobre um setor responsável por parcela relevante da atividade nacional”, avalia.
























