A atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que passa a exigir a gestão dos riscos psicossociais a partir de maio de 2026, reforça o papel das lideranças na identificação, registro e prevenção de fatores que impactam a saúde mental e física dos trabalhadores. Após período educativo iniciado em agosto de 2024, as fiscalizações terão início neste ano, ampliando a responsabilidade das organizações na condução de processos integrados ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Entre os fatores considerados psicossociais estão excesso de carga de trabalho, pressão por resultados, jornadas extensas, conflitos interpessoais, assédio, falta de autonomia e comunicação ineficiente. Quando não identificados e gerenciados, esses elementos podem resultar em adoecimentos mentais, aumento do absenteísmo, presenteísmo, queda de produtividade e maior rotatividade.
Para Nathalia Gottheiner, especialista em desenvolvimento humano e fundadora do Centro de Treinamento Executivo Bosque Belo, a comunicação direta é parte estrutural da lógica de prevenção exigida pela norma. “Quando a comunicação é evitada, o risco não deixa de existir, ele apenas deixa de ser nomeado. O silêncio organizacional cria um ambiente onde sinais de alerta estão presentes, mas não são reconhecidos como risco”, afirma. Em sua opinião, sustentar conversas difíceis é uma prática de responsabilidade. “A prevenção começa quando líderes conseguem sustentar conversas difíceis antes que comportamentos inseguros, falhas operacionais ou o esgotamento emocional se tornem problemas maiores”, explica. E continua, “onde há silêncio excessivo, há risco oculto. Onde o feedback é evitado, a prevenção falha”. Em outras palavras, cumprir a NR-1 envolve mudança cultural e o desenvolvimento de lideranças capazes de criar ambientes em que a fala seja parte da rotina de cuidado.
A psicóloga Fatima Macedo, especialista em saúde mental corporativa e CEO da Mental Clean, destaca que o mapeamento dos riscos psicossociais deve partir de uma análise ampla do ambiente organizacional. Entre as ferramentas possíveis estão entrevistas, questionários, observação das rotinas e análise de indicadores internos, como afastamentos e queixas recorrentes. “A participação dos trabalhadores nesse processo é essencial porque permite uma visão mais realista das situações de risco e contribui para o engajamento nas ações de melhoria”, ressalta. Para ela, atender às exigências da NR-1 vai além do cumprimento formal da legislação. “As empresas precisam urgentemente revisar o PGR para inclusão dos riscos psicossociais, implementar as ações preventivas, estruturar treinamentos focados em saúde mental e bem-estar e promover a segurança psicológica. Deixar de mapear, de registrar e de agir pode gerar consequências sérias para a liderança e para a organização”, afirma.
Sincomavi: apoio para implantação
O Grupo ConstRHuir, com o patrocínio do Sincomavi, realizará o Webinário “Riscos Psicossociais e NR1”, em 11 de março, com as advogadas trabalhistas Renata Marchetti de Mauro Madazio Brunelli e Thamires Rodrigues Monico. O evento já está com as inscrições abertas e dará uma visão diferente sobre a implantação da norma, trazendo subsídios importantes para os empresários do varejo.
Vale lembrar que o Sincomavi disponibiliza gratuitamente aos interessados a cartilha “PGR de Riscos Psicossociais para Pequenas Empresas”, que oferece orientações práticas sobre como cumprir as novas exigências da NR-1.
























