A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que o volume de vendas do comércio de material de construção no Estado de São Paulo recuou 0,2% em dezembro passado, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Esta foi a sétima variação negativa consecutiva do indicador. Já em território nacional houve um acréscimo de 0,1% no período analisado, o primeiro avanço mensal desde maio de 2025.
Evolução mensal do índice de volume de vendas do comércio de material de construção – Mês contra mesmo mês do ano anterior

Fonte: PMC – IBGE
Os números ruins do setor na economia paulista, em especial na segunda metade de 2025, foi responsável para que no acumulado do ano o volume de vendas do comércio de material de construção apresentasse uma retração de 1,6%, segundo o IBGE. O resultado negativo contrapõe o aumento de 5,2% em 2024. No país, a queda anual foi mais amena, de 0,2%, também invertendo o cenário positivo do ano anterior, quando houve um aumento de 4,8%.
Evolução do índice de volume de vendas do comércio de material de construção do Estado de São Paulo – Taxa acumulada de 12 meses

Fonte: PMC – IBGE
O economista Jaime Vasconcellos afirma que tal movimento de retração acumulada no ano do volume de vendas de material de construção no Estado de São Paulo já era esperado. “O setor sentiu o baque dos juros altos e dos elevados níveis de endividamento e inadimplência das famílias”, ressalta. “Tais indicadores são condicionantes do consumo, em especial para segmentos comerciais mais dependentes de crédito e, por vezes, considerados de consumo adiável”.
Em suma, o setor sentiu os impactos negativos da falta de espaço no orçamento dos consumidores, em especial em um período em que os juros das principais linhas de crédito para Pessoas Físicas e Jurídicas estão encarecidos, acompanhando as taxas da maior Selic em quase 20 anos. “A tendência para 2026 não nos parece muito auspiciosa, até porque o cenário ao consumo doméstico não deverá sofrer alterações drásticas, nem mesmo com a tendência de retração gradual da taxa básica de juros já a partir do próximo mês (março/26)”, adverte Jaime. Tudo indica que as vendas ficarão em patamares próximos do visto em 2025, com uma provável leve recuperação apenas no segundo semestre.
OBS: O Volume de Vendas observado pela PMC resulta da deflação dos valores nominais correntes da receita bruta de revenda por índices de preços específicos para cada grupo de atividade, e para cada Unidade da Federação, construídos a partir dos relativos de preços do IPCA e do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil – SINAPI. A pesquisa também avalia apenas empresas com 20 ocupados ou mais.
























