Depois de contar com um crescimento de 0,58% em novembro, o custo médio total do metro quadrado da construção civil no Estado de São Paulo voltou a apresentar desaceleração em dezembro de 2025, segundo o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi/IBGE). A variação ficou em 0,13%, menor inclusive que a registrada no mesmo mês do ano anterior, período no qual a oscilação foi de 0,31%.
O gasto médio total com o metro quadrado da construção paulista ficou em R$1.989,49 no último mês do ano passado, um aumento de R$2,64 em relação a novembro. Desta diferença, R$2,36 vieram do custo com mão de obra, que marcou um valor médio total de R$917,58. Já os outros R$0,28 são oriundos do material de construção com valor médio total de R$1.071,91.
Evolução do custo médio por m² da construção, por componentes: Estado de São Paulo (R$)

Fonte: IBGE
No acumulado nos doze meses do ano, o custo médio da construção civil cresceu 5,20% no Estado de São Paulo, a maior variação de um ano fechado desde 2022, quando o Sinapi/IBGE apresentou aumento de 10,96%. Em 2025, o custo financeiro do metro quadrado da obra avançou exatos R$ 98,29, sendo R$ 50,66 (ou +4,96%) com o material de construção e R$ 47,63 (ou +5,48%) com a mão de obra.
Evolução do custo médio anual do m² da construção do estado de São Paulo

Fonte: IBGE
O economista Jaime Vasconcellos comenta que a recente aceleração dos preços médios da construção civil em São Paulo refletiu basicamente a retomada da demanda do setor, impulsionada tanto pela expansão do mercado imobiliário quanto pelo aquecimento da demanda interna, associado ao crescimento do mercado de trabalho e à consequente sustentação da renda das famílias. “Como evidenciado, do aumento de 5,20% no custo total médio do metro quadrado na construção civil paulista em 2025, 3,65 pontos percentuais foram registrados no primeiro semestre do ano, período marcado pela atualização dos custos de mão de obra por meio de convenções e acordos coletivos, além de apresentar avanços mensais nas vendas do setor segundo dados do IBGE”.
No segundo semestre, Jaime explica que observou-se uma redução na performance do setor, acompanhando a tendência de desaceleração do consumo das famílias na economia nacional, o que resultou no arrefecimento no ritmo de expansão dos preços da construção civil. “Essa inflação setorial, predominantemente influenciada pela demanda, uma vez que em 2025 não ocorreram grandes choques de oferta ou desvalorização acentuada do Real, deverá nortear também os índices inflacionários do setor em 2026”, avalia. Ele lembra ainda que, diante da política monetária restritiva vigente (juros elevados), projeta-se, considerando a queda gradual da Selic prevista para o ano, que os efeitos sobre o desempenho da construção civil e seus respectivos custos de mão de obra e materiais sejam mais perceptíveis no segundo semestre do que na primeira metade de 2026.
























