Endividamento e inadimplência das famílias contaram com pequeno recuo em novembro, após nove meses consecutivos de alta, conforme dados levantados pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O percentual de famílias endividadas passou de 79,5% para 79,2%, voltando ao nível de setembro, mas ainda acima do observado em novembro de 2024. A inadimplência também caiu de 30,5% para 30,0%, e o grupo que declarou não ter condições de pagar dívidas em atraso recuou de 13,2% para 12,9%.
Apesar do cenário ainda pressionado, a CNC aponta sinais de reorganização do orçamento doméstico motivados pelo pagamento do 13º salário e pela necessidade de ajuste financeiro de fim de ano. “Mesmo com taxas de juros ainda altas, a pesquisa aponta melhora tanto da percepção quanto da estrutura das dívidas”, afirma José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.
A proporção de consumidores que se consideram “muito endividados” caiu para 16,0%, enquanto aumentou o grupo que se classifica como “pouco endividado” (32,8%). Por outro lado, cresceu o percentual de famílias com dívidas acima de 12 meses, que chegou a 32,1%. A parcela dos inadimplentes com atraso superior a 90 dias diminuiu de 49,0% para 48,5%, retomando o menor nível desde agosto.
Mesmo com o recuo, a CNC projeta que 2025 deve encerrar com endividamento e inadimplência superiores aos de 2024, mantendo o crédito caro como ponto de atenção para a economia. Para Fabio Bentes, economista-chefe da entidade, o movimento de consumo em períodos como a Black Friday, aliado ao uso do 13º salário para pagamento de dívidas, ajuda a conter a pressão sobre o orçamento e o risco de avanço da inadimplência.
























