A Black Friday alterou de forma estrutural a sazonalidade das vendas no Estado de São Paulo. Segundo análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a data fez novembro avançar do sexto para o segundo mês de maior faturamento do comércio paulista, ficando atrás apenas de dezembro.
Faturamento real mensal do comércio varejista (2009-2024)
Estado de São Paulo

Fonte: FecomercioSP/SEFAZ-SP
Dados da Entidade indicam que, entre 2008 e 2009, novembro apresentava receitas inferiores às registradas em meses tradicionalmente fortes para o consumo, como julho e outubro, além de períodos sem datas comemorativas. O cenário começou a mudar a partir de 2012 e 2013, quando a consolidação da Black Friday levou o mês ao quarto lugar em desempenho, com faturamento de R$ 84,4 bilhões. Na média de 2023 e 2024, novembro alcançou a vice-liderança entre os meses do ano.
A participação de novembro no total anual também se ampliou. Em 2008, o mês representava 7,9% das vendas do varejo paulista. Em 2010, primeiro ano da Black Friday no País, atingiu 8,8%. No ano passado, a fatia foi de 9,1%, a segunda maior da série histórica. No mesmo período, dezembro perdeu intensidade e encerrou 2024 com 9,8% do total anual, diferença de 0,7 ponto porcentual para novembro.
Para Thiago Carvalho, assessor econômico da FecomercioSP, dezembro ainda se mantém como principal momento do varejo devido à entrada do 13º salário. Ele avalia que a distância entre os dois meses está cada vez menor: “A Black Friday, em novembro, se aproxima dos resultados do varejo em dezembro. Não vai demorar muito para ambos disputarem o posto de principal período de compras do Brasil”.
A transformação é mais acentuada nos segmentos de eletrodomésticos, eletroeletrônicos e lojas de departamento, que passaram a concentrar grande parte da demanda da Black Friday. Com consumidores adiando compras para aproveitar os descontos, a participação de novembro na receita anual dessas atividades subiu de 7,8% em 2008 para 10,5% no ano passado. Em 2008, a diferença entre novembro e dezembro era de 5,3 pontos porcentuais; em 2024, caiu para 0,3 ponto.
























