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A solidão e o esgotamento deixaram de ser exclusividade dos funcionários. Pesquisas recentes mostram que, no Brasil, o cansaço também tem atingido empresários e empreendedores. Um levantamento do Itaú Empresas, em parceria com o Instituto Locomotiva, revelou que 57% dos líderes de pequenas e médias empresas sentem falta de conexão com outros empresários e especialistas. Outros 52% afirmaram sofrer impactos físicos e mentais em razão da rotina intensa.

O problema, segundo o empresário e estrategista Fernando Campanholo, conhecido como Campa, não está apenas na carga de trabalho, mas na falta de vínculos reais. “Muitos empresários não têm dificuldades de se conectar com outros empresários. Eles têm dificuldades de se conectar com pessoas”, afirma. Para ele, o excesso de obrigações e a cultura de desempenho constante criam um ciclo de isolamento. “A rotina vira uma prisão: casa, trabalho, casa, trabalho. E isso sufoca até quem já tem uma empresa grande.”

De outro lado, os trabalhadores também enfrentam os reflexos de um ambiente de pressão. Pesquisa realizada pela SalaryFits, empresa da Serasa Experian, mostrou que 66% dos profissionais brasileiros têm sentido aumento de estresse em suas vidas pessoais por causa do endividamento. No ambiente profissional, os efeitos se traduzem em irritabilidade, insônia, exaustão física e queda de produtividade.

Segundo o CEO da SalaryFits, Délber Lage, o endividamento e a instabilidade financeira tornaram-se fatores diretos de adoecimento e perda de desempenho. “Esses números mostram que a instabilidade financeira não é apenas um problema individual, mas um fator que compromete a produção e o clima organizacional”, afirma. O executivo lembra que, apesar da ampliação da NR1 — norma que agora inclui riscos psicossociais entre as responsabilidades das empresas —, 52% das organizações ainda não adotam medidas voltadas à saúde mental.

Extremos do mesmo problema

Os dois lados da relação de trabalho compartilham sintomas diferentes de um mesmo desequilíbrio. O empresário, sobrecarregado por decisões e incertezas, sente-se preso a um modelo em que o sucesso depende de resistência pessoal. O trabalhador, pressionado por dívidas e metas, vê o bem-estar se perder entre jornadas longas e falta de apoio financeiro.

Para Campanholo, a solução começa pelo reconhecimento de que o autocuidado é parte da gestão. “A vida do empresário não é só o negócio. Ele precisa colocar na agenda tempo pra ele como coloca para cliente, fornecedor ou reunião. Tempo para cuidar da saúde, para se relacionar, para aprender, para oxigenar a mente”, destaca.

Délber Lage faz um alerta semelhante no outro extremo. “Os trabalhadores esperam não só salários competitivos, mas iniciativas concretas de apoio ao bem-estar, como educação financeira e ferramentas que facilitem a gestão de recursos.”

Empresas saudáveis dependem de pessoas saudáveis — em todos os níveis hierárquicos. Enquanto o país continuar tratando o empreendedor como máquina de resiliência e o trabalhador como número na folha, o desgaste seguirá sendo regra. O equilíbrio entre gestão, bem-estar e produtividade deixou de ser uma questão de luxo. É, hoje, uma condição de sobrevivência.


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