O avanço dos custos na construção civil ganhou novo impulso em 2025. Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) acumula alta de 5,11% no ano e 6,78% em 12 meses até setembro. Embora o principal fator de pressão venha da mão de obra, responsável por 4,06 pontos percentuais do total, o segmento de materiais e equipamentos também registra aceleração e merece atenção dos empresários.
Os dados indicam que, mesmo com peso maior na estrutura do índice (52%), os insumos vinham apresentando comportamento mais moderado nos últimos anos. Essa tendência mudou em 2025. Tubos, conexões e eletrodutos de PVC tiveram aumento de 21,2%, enquanto vidros e produtos à base de cimento e aço registraram altas entre 13% e 15%. O movimento reflete tanto o encarecimento de matérias-primas quanto o aumento da demanda por obras residenciais e de reformas.
Estrutura de pesos do INCC por item do grupo Materiais

Fonte: FGV-IBRE
A FGV aponta que esse comportamento deve persistir. A combinação de juros em queda, crédito imobiliário mais acessível e novos programas de financiamento para reformas tende a aquecer o mercado e, com ele, os preços dos materiais. Em um cenário de oferta ainda limitada e custos de produção em alta, o setor varejista de material de construção pode enfrentar pressões adicionais sobre margens e estoques.
Top 10 maiores influências por grupo (Materiais)

Fonte: FGV-IBRE
A expectativa é de que 2026 mantenha esse padrão: demanda aquecida, mão de obra escassa e insumos valorizados. Para o comércio varejista de materiais, o desafio será equilibrar preços e competitividade diante de um ciclo que combina expansão de obras com custos em ritmo superior à inflação geral.
Fonte: FGV IBRE – Estudo “O protagonismo do custo do trabalho na construção: dinâmica recente e expectativas”.
























