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O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), medido pela FecomercioSP, caiu 1,5% em setembro na cidade de São Paulo e acumula retração de 10,6% em relação ao mesmo período de 2024, atingindo 110,2 pontos. Embora o patamar ainda indique otimismo (acima de 100 pontos), o resultado reflete a perda de fôlego diante de um ambiente econômico mais incerto. O Índice das Condições Atuais (ICEA) teve queda de 2,1% no mês e de 9,3% no comparativo anual, chegando a 105,8 pontos.

Índice das Expectativas do Consumidor (IEC)
Índice das Condições Atuais (ICEA)
Série histórica (13 meses)

Fonte: FecomercioSP

Entre os fatores que explicam a retração estão o aumento dos custos de alimentos, habitação e energia elétrica, que afetam diretamente o orçamento familiar. O crédito caro e restrito, aliado a altos índices de endividamento e inadimplência — concentrados principalmente no rotativo do cartão de crédito —, limita o consumo de bens duráveis. O cenário fiscal e político, marcado por dúvidas sobre o equilíbrio das contas públicas, também reduziu as expectativas. Mesmo com o emprego em níveis elevados, a renda real cresceu pouco, e a informalidade permanece próxima de 40% da força de trabalho.

O ritmo mais lento da economia e as incertezas externas reforçam o comportamento cauteloso do consumidor. Tensões geopolíticas e barreiras comerciais aumentaram a percepção de risco, enquanto as negociações em curso entre Brasil e Estados Unidos sobre tarifas de importação ampliam a sensação de instabilidade. Para a FecomercioSP, o resultado é um consumidor mais seletivo e desconfiado, menos propenso a realizar gastos de maior valor.

A Federação projeta que o último trimestre do ano será moderado para o comércio, mesmo com datas relevantes como Black Friday e Natal. A tendência é de compras mais racionais, concentradas em itens essenciais e sensíveis a preço. Empresas que oferecerem facilidades de pagamento, eficiência logística e programas de fidelização devem ter vantagem competitiva.

Enquanto isso, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) ficou praticamente estável em setembro, com queda de 0,4% no mês e de 0,1% em relação a 2024, totalizando 105,8 pontos. O resultado indica um consumo mais contido no curto prazo, especialmente entre as famílias de maior renda, mais impactadas pelas incertezas macroeconômicas. Segundo a FecomercioSP, a recuperação da confiança dependerá de fatores como o avanço das reformas fiscais, a desaceleração inflacionária e a retomada do crédito ao consumo.


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