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O debate sobre saúde mental nas empresas ganha novas camadas em 2025. De um lado, a terceira edição do Relatório de Segurança Psicológica em Organizações, lançado pela plataforma Moodar, aponta que fatores como imprevisibilidade, percepção de injustiça e liderança ineficaz estão entre os principais riscos psicossociais que afetam a força de trabalho. “Fatores como liderança ineficaz, falta de apoio, percepção de injustiça e sobrecarga emocional não apenas afetam a saúde mental, mas impactam diretamente o engajamento, retenção e produtividade”, afirma Bárbara Medeiros Lippi, cofundadora e diretora executiva da Moodar.

De outro, estudo da Vidalink revela que o uso intensivo de tecnologia – com notificações constantes, expectativa de resposta imediata e hiperconexão – tem ampliado quadros de ansiedade, especialmente entre jovens profissionais. Leonardo Abrahão, psicólogo e presidente do Instituto de Desenvolvimento Janeiro Branco, comenta que o excesso de notificações, a telepressão no trabalho pela expectativa de respostas imediatas e o doomscrolling noturno colocam profissionais em estado de hipervigilância. “Isso gera fadiga, prejudica o sono e aumenta a ruminação mental”, destaca.

A convergência desses dados reforça um alerta para o ambiente corporativo: os riscos psicossociais não apenas comprometem a saúde emocional, como também afetam engajamento, retenção de talentos, produtividade e competitividade das empresas. Em ambos os levantamentos, o papel das lideranças aparece como decisivo. “Na prática, o líder é quem dá o tom da cultura organizacional: quando exerce escuta ativa, reconhece o esforço da equipe e oferece clareza sobre expectativas, cria um ambiente de confiança e pertencimento. Por outro lado, quando falha nesse apoio, amplia a vulnerabilidade emocional”, observa Bárbara, da Moodar.

No campo legal, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entra em vigor em maio de 2026, amplia as responsabilidades dos empregadores ao incluir a obrigatoriedade de identificar, avaliar e controlar riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Bárbara Lippi alerta que essa mudança é decisiva: “Ao transformar os riscos psicossociais em uma obrigação legal dentro do PGR, a norma tira o tema do campo da sensibilização e o coloca no centro da estratégia de Saúde e Segurança do Trabalho”. Nesse contexto, o consenso mostra ser essencial às empresas manter processos de seleção bem-estruturados, capazes de identificar potenciais fragilidades antes da contratação, reduzindo a probabilidade de problemas futuros com colaboradores que já apresentaram histórico de adoecimento emocional em outras companhias.

Paralelamente, o relatório da Vidalink revela ainda que a ansiedade já é um dos sintomas mais comuns entre trabalhadores brasileiros. Em 2024, 41% dos empregados de grandes empresas afirmaram sentir-se ansiosos na maior parte dos dias, enquanto dados oficiais apontaram mais de 470 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior índice em uma década. “Empresas que não colocarem a saúde mental no centro da estratégia perderão competitividade. Absenteísmo, presenteísmo e alta rotatividade corroem resultados silenciosamente”, alerta Luis Gonzalez, CEO e cofundador da Vidalink.

A recomendação é que as estratégias de prevenção ultrapassem as campanhas periódicas, como o Setembro Amarelo, e se transformem em políticas permanentes. Isso inclui tanto medidas estruturais — como mapeamento de riscos, planos de desenvolvimento e integração da saúde mental ao PGR — quanto iniciativas práticas, como higienização digital, definição de limites de uso da tecnologia e oferta de benefícios voltados ao bem-estar. Nesse cenário, empresas do comércio e de outros setores precisam agir em duas frentes: atender às exigências legais e, ao mesmo tempo, enfrentar os desafios trazidos pela hiperconexão no mundo do trabalho contemporâneo.


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