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A sucessão em empresas familiares continua sendo um dos principais desafios para a sobrevivência de negócios no Brasil. Embora companhias de grande porte já tenham vivido esse processo — casos como Magazine Luiza, Natura e Gerdau — o dilema é ainda mais sensível para pequenos e médios empreendimentos do varejo, muitos de perfil familiar, que enfrentam dificuldades para garantir a continuidade em razão da falta de governança, conflitos internos e desinteresse dos herdeiros.

Para André Freire, sócio-diretor da consultoria EXEC, é preciso antecipar a discussão e preparar o terreno para o futuro. “Meus muitos anos de experiência em sucessão familiar mostram que começar a pensar cedo na nova geração — seja ela criada dentro da família ou captada entre executivos do mercado — é importante para garantir o futuro da organização. No entanto, nem sempre é isso o que acontece”, afirma.

Dados da Serasa Experian revelam a gravidade da situação: 60% das pequenas e médias empresas encerram suas atividades antes do segundo ano de sucessão familiar por falhas de governança e planejamento. A advogada Daniela Correa, especialista em Direito Empresarial, acredita que a formalização se mostra algo decisivo. “O planejamento sucessório não é apenas uma formalidade jurídica”, ressalta. E complementa: “Ele permite que a empresa funcione de forma estável mesmo diante de mudanças de liderança ou de crises familiares. Um contrato mal redigido ou a ausência de regras claras pode gerar disputas, atrasar decisões e prejudicar o fluxo financeiro da empresa”.

Entre as orientações de especialistas, estão a criação de conselhos consultivos, a definição clara de papéis, o uso de instrumentos jurídicos como holdings familiares e protocolos de sucessão, além do desenvolvimento de herdeiros interessados. Quando não há sucessores naturais, a contratação de um executivo profissional pode ser alternativa viável, desde que alinhada aos valores da família e acompanhada de governança transparente.

Para o comércio varejista, que ainda mantém forte perfil familiar e encontra dificuldades na sucessão devido à escolha dos herdeiros por outras carreiras, a mensagem é clara: sem preparo, governança e regras definidas, décadas de construção podem se perder em pouco tempo. A sucessão bem-conduzida, ao contrário, preserva o patrimônio, garante empregos e fortalece o legado da empresa.


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