Espaço Publicitário

A confiança dos empresários voltou a cair em agosto, refletindo a piora na avaliação da economia e das perspectivas futuras. No comércio, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), recuou 3,1% em relação a julho. Já a indústria registrou a maior retração desde a pandemia, com queda de 4,4 pontos no Índice de Confiança da Indústria (ICI), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE).

No setor de comércio, a redução foi puxada principalmente pelo pessimismo em relação ao cenário econômico. Os itens que medem a percepção sobre as condições atuais e as expectativas futuras caíram 3,5% e 3,9%, respectivamente. “A confiança do comércio é um reflexo da economia. Juros altos e um cenário de incertezas mantêm os empresários cautelosos. É preciso sinalizar reformas estruturais e uma agenda econômica consistente para estimular novos aportes e empregos”, avalia José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.

A análise por segmentos mostrou que os empresários de bens duráveis, como eletrodomésticos, veículos e materiais de construção, sentiram mais fortemente os efeitos da alta dos juros, com queda de 8,8% na comparação anual. O recuo também atingiu setores ligados a bens essenciais, como supermercados e farmácias, o que reforça a percepção de perda generalizada de confiança.

Na indústria, o resultado também foi negativo em todas as categorias avaliadas. A sondagem indicou preocupação com o acúmulo de estoques e maior pessimismo em relação ao horizonte de seis meses. “A queda da confiança da indústria em agosto reforça a tendência de insegurança entre os empresários. O resultado da sondagem está em linha com a complexidade da macroeconomia para o setor industrial no segundo semestre”, ressalta Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE.

Comércio e indústria compartilham um cenário de cautela diante da política monetária restritiva e das incertezas externas, especialmente nas relações entre Brasil e Estados Unidos. A combinação de juros elevados e menor confiança tende a impactar investimentos, contratações e o ritmo de recuperação da economia no segundo semestre.


Espaço Publicitário