A gestão de pessoas tem se consolidado como um dos principais fatores para a competitividade das empresas brasileiras. Estudos recentes apontam que experiências positivas no ambiente de trabalho, remuneração estratégica e adaptação às novas expectativas da força de trabalho são determinantes para atrair e reter profissionais em um mercado cada vez mais dinâmico.
Segundo levantamento da Great Place to Work, organizações que oferecem ambientes de confiança, respeito e colaboração apresentam receita por colaborador até 8,5 vezes superior à média do mercado. Práticas como reconhecimento consistente, oportunidades de desenvolvimento, comunicação transparente e autonomia na execução das tarefas estão diretamente relacionadas a maior engajamento e produtividade. O custo da improdutividade também chama atenção: uma hora perdida pode significar até US$ 15 mil por ano por funcionário, considerando salários e benefícios. “Quando funcionários se sentem valorizados e conectados, eles se engajam mais, inovam com maior frequência e se comprometem com os objetivos da empresa”, afirma Andre Purri, CEO da HRTech Alymente.
A pesquisa “Futuro do Trabalho: onde estamos e para onde vamos?”, realizada pela Futuros Possíveis com apoio da TOTVS e do Instituto da Oportunidade Social (IOS), mostra que 97% dos brasileiros se sentem preparados para os novos desafios profissionais. No entanto, apenas 12% desejam assumir cargos de liderança, enquanto 23% preferem empreender e 50% manifestam intenção de mudar de emprego ainda em 2025. O estudo indica uma mudança estrutural nas expectativas: os trabalhadores valorizam autonomia, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, saúde mental e benefícios compatíveis, em detrimento da hierarquia tradicional e das longas jornadas. “Estamos documentando uma ruptura histórica”, explica Angelica Mari, CEO e cofundadora da Futuros Possíveis. “Temos pela primeira vez uma força de trabalho que se sente preparada para o futuro, mas rejeita como o trabalho está organizado hoje”.
Nesse contexto, a remuneração estratégica surge como um ponto de atenção. Dados da Deloitte e do Ministério do Trabalho e Emprego indicam que salário abaixo das expectativas e falta de reconhecimento estão entre os principais motivos para pedidos de demissão. Estudo da Michael Page confirma a tendência: 72,5% dos candidatos consideram a remuneração o aspecto mais importante no emprego atual, e 86,8% a colocam como prioridade ao avaliar novas ofertas.
Com a entrada em vigor da Lei nº 14.611/2023, que reforça a necessidade de igualdade salarial entre homens e mulheres, cresce a pressão por transparência e ajustes rápidos nas políticas de remuneração. Soluções baseadas em inteligência artificial e dados em tempo real têm sido adotadas por empresas que buscam alinhar seus pacotes salariais ao mercado, reduzindo custos e aumentando a precisão das decisões.
Os levantamentos convergem em um ponto: investir na experiência do colaborador e em políticas de remuneração justas deixou de ser uma opção e se tornou requisito estratégico. Em um cenário de escassez de mão de obra qualificada e alta rotatividade, organizações que não se adaptarem correm o risco de perder talentos essenciais para sua sustentabilidade e crescimento.

























