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Por Jaime Vasconcellos, economista.

Nas análises iniciais sobre o que seria 2025, o alerta era que provavelmente veríamos duas metades do ano bem distintas. Basicamente teríamos os primeiros seis meses ainda fortalecidos pela taxa mais acelerada da economia em 2024 e ainda sem os maiores efeitos da elevação dos juros no país. Já nos últimos seis meses, haveria uma desaceleração econômica, exatamente pelos efeitos do juro mais elevado no país, que afetaria os pilares da nossa economia, tanto pelo lado da demanda quanto da oferta, ou seja, respectivamente o consumo das famílias (via o crédito) e os setores de comércio e serviços. 

Observando os indicadores finais do primeiro semestre, podemos afirmar que sim, veremos realmente uma desaceleração econômica nesta segunda metade do ano. O volume de vendas do varejo restrito brasileiro apresentou retração em abril, maio e junho, contra os meses imediatamente anteriores. No estado de São Paulo as quedas foram ainda mais agudas. Já a indústria retrocedeu 0,5% em maio e pouco variou em junho. Sobrou-nos o setor de serviços, que se manteve avançando, puxado especialmente por ramos ligados ao turismo e à tecnologia da informação, por exemplo. 

Prova que a economia já desacelera se encontra no desempenho da prévia de nosso PIB, que o Banco Central chama de IBC-Br. Tal índice recuou 0,1% em junho, depois de já ter caído 0,7% em maio, fechando o segundo trimestre com crescimento acumulado de apenas 0,3%, em relação ao primeiro. 

A despeito de um mercado de trabalho ainda muito resiliente, dado que o país gerou no primeiro semestre mais de 1 milhão de empregos celetistas e a taxa de desocupação está em apenas 5,8% (mínima histórica), os efeitos da elevação dos juros no país, iniciado em setembro de 2024 e interrompido em julho de 2025, começa a dar as caras, o que era esperado, pois cerca de 6 a 9 meses normalmente são vistos os efeitos práticos de cada elevação da Selic no consumo das famílias. E parece que o motivo desses juros tão elevados tem causado o efeito esperado, isto é, contido a inflação, mesmo que ao custo da redução do ritmo econômico. Tanto que o IPCA previsto para o acumulado de 2025 já beirou os 6% e agora está abaixo dos 5%, ainda que acima da meta de 3%. 

Em resumo, ao se concretizar a trajetória esperada sobre a economia brasileira em 2025, de mais força na primeira metade e desaceleração no segundo semestre, está imposta aos empresários a necessidade de ainda mais realismo em suas projeções, com cuidados máximos quanto ao fluxo e liquidez de seus caixas. Além disso, ainda mais critério na tomada de quaisquer decisões que necessitem de alguma monta mais significativa de investimentos. A situação atual prega cautela, mais uma vez. 

ESTIMATIVAS PARA O FECHAMENTO DE 2025, DA ECONOMIA BRASILEIRA:

  • PIB: 2,3%
  • Inflação (IPCA/IBGE): 4,9%
  • Taxa SELIC: 15,00% a.a.
  • Taxa de Câmbio: 5,55
  • Balança comercial (em US$): + 65 bi
  • Taxa de desocupação ao fim do ano (PNADc/IBGE): 6,2%
  • Volume de vendas do comércio ampliado BR (PMC IBGE/12 meses): +2,0%
  • Volume de serviços BR (PMS IBGE/12 meses): +3,0%

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