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A elevada rotatividade de mão de obra representa um dos principais desafios do mercado de trabalho formal brasileiro. O índice de turnover, obtido a partir da proporção entre admissões ou desligamentos e o total de trabalhadores ativos, acarreta custos expressivos para as empresas, especialmente para aquelas de micro e pequeno porte, predominantes no setor varejista. 

Estudo realizado pelo Sincomavi, com a coordenação do economista Jaime Vasconcellos, mostra que na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) o varejo de material de construção, vidros, tintas, ferragens e madeira apresentou uma rotatividade de 23,70% no 1° semestre de 2025 — o maior percentual para este período desde a implementação do Novo Caged em 2020.

Taxas de rotatividade da mão de obra celetista no comércio varejista de material de construção e segmentos complementares da RMSP – Primeiros semestres de 2020 a 2025

Fonte: Novo Caged | Elaboração e cálculos: Sincomavi

O percentual registrado em 2025 indica que quase um quarto dos aproximadamente 95,8 mil empregos formais ativos no varejo de material de construção da Grande São Paulo ao final do ano passado foram ocupados por pessoas diferentes durante o fim do primeiro semestre de 2025. 

Ao analisar este indicador entre os nove subgrupos de atividades, observa-se inclusive que determinados segmentos apresentam taxas de rotatividade superiores à média total (23,70%). Destaques ao estabelecimentos do varejo de vidros (28,4% de taxa de rotatividade), de pedras para revestimento (26,1% de taxa de rotatividade) e de tintas e material para pintura (25,7% de taxa de rotatividade). Por outro lado, a menor variação de mão de obra ocorreu no comércio de material hidráulico, com um turnover de 20,4% nesta primeira metade de 2025.

Taxa de rotatividade da mão de obra nos subsetores do varejo de material de construção e segmentos complementares da RMSP – 1º semestre de 2025

Em geral, sabe-se que a elevação da taxa de rotatividade do mercado de trabalho resulta de fatores estruturais e conjunturais. E é o que ocorre também no varejo de material de construção da Grande São Paulo, ainda que este setor não tenha um turnover tão elevado quanto o da média do varejo em geral da região, que apresentou em 2025 exatos 31,2% de rotatividade. 

Em períodos de maior aquecimento do mercado de trabalho, como observados após a pandemia, há tendência de elevação da rotatividade devido ao aumento da oferta de vagas, o que estimula colaboradores a buscar (e conseguir) oportunidades alinhadas aos seus anseios financeiros, objetivos profissionais e horários disponíveis. E vivenciamos neste momento essa conjuntura. 

Já dentre as questões estruturais do varejo que justificam a alta rotatividade de mão de obra, sabe-se que os seus segmentos também são frequentemente vistos como uma etapa transitória na trajetória profissional, ocasionando uma movimentação acentuada de trabalhadores, especialmente entre os jovens. Isso também ajuda a elevar os custos recorrentes para as empresas no recrutamento, seleção, treinamento e desligamentos de funcionários. 

Nesse contexto, sabendo que não existem soluções imediatas ou únicas para sanar tamanha rotatividade de colaboradores, há formas de ao menos mitigar os efeitos financeiros da elevada taxa de movimentação de mão de obra. A dedicação por parte dos empregadores de realizarem processos seletivos assertivos, treinamentos eficientes, ambientes de trabalho adequados (em saúde física e mental) e disponibilizarem remuneração competitiva, ajuda na retenção de funcionários, em especial os mais produtivos. Além disso, evoluir em inovação e tecnologia também é relevante tanto para atrair clientes, quanto candidatos interessados em ambientes mais digitais, auxiliando na manutenção do quadro funcional e em uma maior estabilidade do mercado de trabalho.



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