Depois de dois avanços mensais seguidos, o varejo de material de construção da Região Metropolitana de São Paulo voltou a apresentar redução de empregabilidade, segundo o Novo Caged. Em junho, foram 76 vagas perdidas, após o registro de 3.592 admissões e 3.668 desligamentos, considerando um total de 96,6 mil vínculos empregatícios ativos. Tal resultado não apenas contrasta com os saldos positivos de abril e maio, como inverte também o resultado de junho de 2024, quando 201 vagas haviam sido geradas na Grande São Paulo.
Evolução do saldo de empregos do varejo de materiais de construção – RMSP e São Paulo/SP
Fonte: Novo Caged
Dentre as atividades avaliadas mais profundamente, vemos que a do varejo de “material de construção em geral” foi quem mais puxou o desempenho setorial para baixo, após apresentar um saldo negativo de 98 postos de trabalho neste sexto mês do ano. Por outro lado, em números absolutos, o maior avanço ficou com os estabelecimentos do varejo de material elétrico, que criaram 27 empregos.
No ano, 845 empregos foram gerados, novamente com influência positiva do ramo de material elétrico (+202 vagas), seguido por ferragens e ferramentas (+199 vagas) e pelos estabelecimentos de tintas e material para pintura (+131 vagas).
O economista Jaime Vasconcellos, veja a análise completa abaixo, ressalta que as 845 vagas a mais no primeiro semestre de 2025 representaram o resultado mais fraco do mercado de trabalho do varejo de material de construção da RMSP desde 2020, quando, devido à pandemia, mais de 4,5 mil empregos com carteira assinada acabaram cortados na região.
Evolução do saldo de empregos do varejo de materiais de construção na RMSP, nos primeiros semestres – 2020 a 2025
Fonte: Novo Caged
ANÁLISE
Por Jaime Vasconcellos, economista.
O primeiro semestre de 2025 terminou de forma arrefecida no mercado de trabalho do varejo de material de construção da Grande São Paulo. Além de diminutos saldos em maio e junho, terminamos a primeira metade do ano com o “pior” saldo acumulado para os seis primeiros meses de um ano desde 2020, primeiro ano do Novo Caged e de forte impacto da primeira onda da Covid-19.
A realidade atual demonstra que há uma tendência consolidada de esgotamento do ritmo mais forte de expansão deste mercado de trabalho, depois de um relevante crescimento consequente dos primeiros impactos da pandemia, considerando a segunda metade de 2020 e o ano de 2021, passando por sucessivos saldos positivos mais fracos nos anos seguintes. E para 2025 se consolidará mais um capítulo deste cenário, no qual se vê o mercado de trabalho aumentando, mas em um ritmo ainda menor. A tendência é, inclusive, ficarmos com desempenho anual acumulado abaixo dos cerca de 1,2 mil vagas, saldo final do ano passado.
Os motivos para esta trajetória de desaceleração são vários. Há o natural esgotamento de um ritmo mais forte do mercado de trabalho, dado que não se consegue setorialmente sustentar tamanhos avanços por tanto tempo até por parte da oferta de mão de obra. Além disso, ou principalmente, temos um cenário econômico geral que também é de desaceleração, o que acaba refletindo no próprio mercado de trabalho, em especial em segmentos muitas vezes considerados de consumo adiável. Em um período de inflação resistente e juros altos, tal realidade é ainda mais desafiadora, começando no orçamento das famílias, passando para a performance de vendas deste varejo, até impactar a capacidade empresarial de novos investimentos, como é a geração de empregos celetista.
























