Não é de hoje que as grandes empresas do varejo se valem da comunicação audiovisual para a divulgação de produtos e promoções. No entanto, com a popularização dos telefones celulares e a propagação avassaladora das redes sociais no Brasil, a utilização de tal recurso se tornou comum em todos os tipos e tamanhos de empreendimentos.
O que era, até pouco tempo, uma opção para os varejos passou a ser algo obrigatório: a produção de vídeos. Essa necessidade está baseada principalmente nas preferências expressas pelos consumidores, que buscam informações e avaliações sobre produtos e serviços para a tomada de decisão. Grosso modo, a experiência visual e interativa tem a capacidade de gerar maior engajamento e conversão, o que tornou esse recurso um protagonista na jornada de compras.
Outros elementos estão ingressando nessa composição. As transmissões ao vivo com foco em vendas (lives commerce) já são de ampla adoção pelos varejos, inclusive de material de construção, e possuem casos exemplares no comércio (veja abaixo). As principais vantagens apontadas com a apresentação de um produto específico: indicar outros itens, responder possíveis dúvidas e oferecer mecanismos para a compra imediata.
A Agência MARCO realizou um estudo em 14 países e verificou que os consumidores brasileiros estão entre os mais impactados com publicidade digital: 73% das pessoas entrevistadas afirmaram ter comprado influenciado por personalidades digitais. Victor Okuma, Country Manager da Indigitall, comenta que as lives criam experiências personalizadas, promovem transparência e fortalecem a conexão emocional entre marcas e consumidores. “Esse engajamento não apenas humaniza as empresas, mas também contribui para a construção de relacionamentos sólidos e duradouros, algo essencial em um mercado cada vez mais competitivo”.
Nos pequenos frascos…
Já os vídeos curtos, comuns no TikTok, Instagram e YouTube, ganharam um novo peso na estratégia de divulgação e vendas. Isso porque o Google passou a exibir uma nova aba exclusiva para vídeos curtos nos resultados de pesquisa. No entanto, vale ressaltar, não são todos os termos procurados que geram esse tipo de resultado.
Apesar disso, o empresário precisa ficar atento, pois a tendência é que esse recurso esteja disponível em todos os tipos de busca. O Instituto Reuters verificou que 76% das pessoas utilizam as redes sociais como principal fonte de informação no Brasil. Outra dado global importante: 67% dos entrevistados admitiram assistir, pelo menos, um vídeo curto informativo por semana. Dentro desse cenário, o destaque fica para o TikTok. Essa rede concentra boa parte de seu público na faixa entre 18 a 24 anos, que contabiliza um aumento de 23% no consumo de notícias.
Relatório da Adobe revela ainda que o TikTok é utilizado pelos jovens da geração Z para descobrir produtos, encontrar estabelecimentos ou aprender novas habilidades. A razão dessa preferência pela rede social está assentada na facilidade de compreensão, na personalização do conteúdo e por contar com as informações atualizadas.
Flávia Crizanto, CEO da Experta, acredita que esse comportamento do público tem sido determinante na reformulação dos resultados de pesquisa do Google, que está vendo parte da sua audiência sendo absorvida por plataformas como TikTok e Instagram. “Observamos um crescimento expressivo no consumo de vídeos curtos e no engajamento que eles geram”, comenta. “O Google, por sua vez, precisa acompanhar essa mudança de hábito para não perder relevância diante da concorrência com as redes sociais”.
Ela aproveita para fazer um alerta, com esse recurso nas buscas, será necessário que os produtores de conteúdo repensem as táticas de SEO (Search Engine Optimization ou Otimização para Mecanismos de Busca) em suas entregas para manter a relevância e aumentar os resultados no tráfego orgânico.

Casos exemplares na utilização de Lives Commerce e vídeos curtos
SHEIN (Global)
- O que faz bem: Lives commerce com promoções relâmpago, influenciadores apresentando looks em tempo real, cupons exclusivos durante a transmissão.
- Recursos usados: Interatividade ao vivo, integração com e-commerce, gamificação.
- Plataformas: App próprio, TikTok, Instagram.
2. Magazine Luiza (Brasil)
- O que faz bem: A Magalu aposta em vídeos curtos com linguagem popular para apresentar produtos, e também realiza lives com influenciadores e vendedores reais.
- Recursos usados: SEO nos vídeos, transmissões ao vivo nas redes, uso de inteligência de dados para impulsionar vendas.
- Plataformas: Instagram, YouTube, TikTok e app Magalu.
3. Amazon Live (EUA)
- O que faz bem: A Amazon transformou lives commerce em um recurso fixo, com criadores de conteúdo fazendo demonstrações de produtos em tempo real.
- Recursos usados: Integração nativa com produtos, link direto para compra, segmentação de público.
- Plataforma: Amazon.com/live
4. Casas Bahia (Brasil)
- O que faz bem: Vídeos curtos com foco em humor e situações cotidianas que apresentam os produtos sem parecer propaganda.
- Recursos usados: Conteúdo nativo para TikTok e Reels, adaptação da linguagem para diferentes públicos.
- Plataformas: TikTok, Instagram.
5. Sephora (Global)
- O que faz bem: Tutoriais rápidos em vídeo e lives com maquiadores mostrando aplicação de produtos e tirando dúvidas.
- Recursos usados: SEO audiovisual, conteúdo educativo, links integrados.
- Plataformas: YouTube Shorts, TikTok, Instagram Live.





















