Não é de hoje que os consumidores possuem inúmeras possibilidades na hora de fazer suas compras. Cenário tão amplo exige dos comerciantes um posicionamento claro de seus negócios, pois já não é mais possível se manter competitivo sendo apenas mais uma opção de mercado. Na palestra “NRF 2024 – o que vale a pena para você e seu negócio”, realizada em 04 de abril, no 18º Simpósio Sincomavi, Feicon 2024, Caio Camargo, especialista em inovação do varejo, revelou que, apesar do conceito “fazer o básico bem-feito” ter continuado em alta no principal evento do comércio mundial, a NRF, o aumento da produtividade, a utilização da inteligência artificial e a redução de perdas foram os assuntos mais em voga no evento.
Caio citou uma frase de Kate Ancketill, futurista e CEO e fundadora da consultoria GDR, para dar início a sua apresentação no Simpósio Sincomavi, e que consegue definir bem o momento pelo qual passa o mundo: “Depois do fim da era da abundância, estamos passando agora pelo fim da era do desperdício”. Diante disso, o empresário deve concentrar esforços em pontos que realmente fazem a diferença.
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Vale a pena para o cliente
Em resumo, a iniciativa tomada vale a pena para o seu cliente ou para o seu negócio? Pelo lado do cliente, a recomendação é investir em experiência de loja, curadoria e descoberta, personalização, ESG e nicho e curadoria. Pontos que podem ser explorados pelo comerciante, dependendo dos recursos disponíveis e segmento de atuação.
No entanto, é preciso dar um passo para trás e estabelecer se a loja é transacional ou emocional. No primeiro caso, identificando-se com os atributos do meio digital, maior ênfase na velocidade das operações, seleção de produtos e serviços, conveniência e entrega no mesmo dia. Já no segundo modelo (físico), lojas emocionais, com equipe definida com perfeição, diversão, inspiração, ambientação, design e visual merchandising.
Para ilustrar melhor os conceitos discutidos, Caio lançou mão de uma série de exemplos do mercado mundial, principalmente norte-americano, como Petco (produtos e serviços para animais de estimação) e Contact Sports (material esportivo, roupas e complementos não usuais) que apostam na experiência oferecida ao consumidor. Em relação a grupos e comunidades, os casos mais emblemáticos apresentados foram Brooklyn Running Company, que oferece todo o suporte para corredores experientes ou novatos, Just Food for Dogs (alimentação especial para cães) e Capital One, agência bancária com estilo de atendimento e serviços totalmente inovadores. Ele comentou ainda sobre a Kith (snakers e roupas exclusivas), Aviator Nation (roupas e acessórios inspirados nos anos 80) e Strand Books (livro surpresa). Por fim, a personalização de itens (Champion e Olfactory), produtos de segunda mão e coleções anteriores (2nd Street e RealReal) e o serviço vitalício de reparo grátis de roupas (Nudie Jeans Co).
Vale a pena para o negócio
Na segunda parte de sua apresentação, Caio comentou sobre os pontos que podem ser importantes para a evolução e manutenção dos negócios. O destaque principal fica para o “Retail Media”, recurso já utilizado no mercado brasileiro. O varejista aproveita seus canais para comercializar espaços e anúncios, como aplicativos de compra, loja virtual e áreas nobres do próprio ponto de venda e acaba por rentabilizar de duas formas, com a venda do produto e o anúncio. Amazon, Mercado Livre, Dalben Supermercados e Soneda já estão se valendo desse recurso em território nacional. Segundo a eMarketer, o Retail Media deve fechar esse ano com um faturamento superior a US$ 61 bilhões e para o ano que vem a expectativa é de ultrapassar os investimentos em mídias comercializadas na TV.
Outra questão muito discutida na NRF, o chamado “shrinkage”, nada mais é do que a soma dos casos de furtos, roubos, fraudes em devoluções, erros administrativos e perda operacional. Algumas soluções amplamente utilizadas nos pontos de venda do Brasil passam a ser algo comum em gôndolas norte-americanas, como a utilização de cadeados.
Caio reforçou ainda a importância da Automação e da Inteligência Artificial nas operações comerciais. Apesar disso, ele comentou sobre dois casos curiosos: o BotBar Coffee, que conta com robô barista (veja abaixo), e o uso desenfreado do termo “Inteligência Artificial” durante a NRF. No primeiro caso, além do grande apelo de marketing do maquinário, a comercialização do sistema de automação aparentemente demonstrava ser a principal vocação do negócio. Já no segundo, Caio ironizou, afirmando a possibilidade de se encontrar até carrinho de hotdog utilizando recursos de IA. Como último alerta, ele reforçou que existe ainda uma grande dependência da Inteligência Artificial em relação aos dados iniciais disponibilizados (input) e o retorno da avaliação dos resultados obtidos (feedback) para correção de caminho. “Tecnologia é meio, não fim para resolver seus problemas”, advertiu ao final da palestra.
Para os comerciantes interessados em saber mais sobre esses assuntos e os demais discutidos no 18º Simpósio Sincomavi, basta se inscrever no debate online “Pós-Simpósio”, programado para 22 de maio de 2024.
























