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Dados apurados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo mostram que a confiança dos empresários do comércio caiu em agosto 0,6% (101,3 pontos após o ajuste sazonal) em relação ao mês anterior. Esse resultado representa o menor patamar de 2026 do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) e foi influenciado principalmente pela piora na avaliação das Condições Atuais, que recuou 2,5% no mês. A Intenção de Investimentos também apresentou redução, de 0,3%. Apesar da retração, o indicador permanece acima dos 100 pontos, faixa considerada de otimismo.

Na direção oposta, o subíndice de Expectativas Futuras avançou para 128,2 pontos. A confiança em relação à economia aumentou 1,1%, enquanto a avaliação sobre o próprio setor de atuação cresceu 0,3% na comparação mensal.

As expectativas também se refletiram nas projeções empresariais. A intenção de investir em contratações subiu 0,6% e a disposição para ampliar estoques avançou 0,1%. Já a parcela de empresários que pretende investir em outras estruturas da empresa caiu 1,8%.

José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, afirma que os custos elevados continuam limitando os investimentos das empresas. “A cada mês, os números mostram o que também ouvimos em eventos por todo o Brasil: há expectativa e há força de vontade para trabalhar mais e melhor; porém, os custos elevados impedem que o empresário aumente os investimentos”. Em sua opinião, o nível de inadimplência das empresas também reflete os efeitos do aperto monetário provocado pela taxa Selic.

Material de construção registra queda nas condições atuais

A avaliação do cenário presente recuou nos três grupos de atividades pesquisados. A maior redução, de 4,6%, ocorreu no segmento que reúne eletrônicos, eletrodomésticos, móveis e decoração, cine/foto/som, material de construção e veículos. Entre supermercados, farmácias e lojas de cosméticos, a queda foi de 3,5%. No grupo formado por roupas, calçados, tecidos e acessórios, o recuo chegou a 0,4%.

Os bens não duráveis, por sua vez, apresentaram avanço de 0,3% nas expectativas futuras, chegando a 129 pontos. A disposição para investimentos cresceu 0,6%, para 118,8 pontos.

Para Catarina Carneiro, economista da CNC, os efeitos de uma eventual continuidade da redução dos juros não chegam imediatamente ao varejo. “Mesmo que a taxa Selic mantenha sua queda responsavelmente, alguns meses são necessários para que essa futura redução chegue até o preço praticado pelo varejo e consequente alívio no bolso do cidadão”, explica. Ela lembra ainda que a redução do comprometimento da renda de empresários e consumidores também dependerá da superação das instabilidades econômicas dos próximos meses.


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