A expansão da inteligência artificial nas empresas tem ampliado a demanda por profissionais capazes de utilizar ferramentas digitais de forma prática e estratégica. Ao mesmo tempo, pesquisas indicam que ainda existe um descompasso entre a formação oferecida por instituições de ensino e as necessidades do mercado de trabalho. Levantamento divulgado pela Pearson e pela Amazon Web Services (AWS) mostra que 53% dos empregadores afirmam ter dificuldade para encontrar graduados com habilidades adequadas em inteligência artificial. Por outro lado, 78% dos líderes do ensino superior acreditam que estão atendendo às expectativas das empresas. Apenas 14% dos graduados entrevistados relataram possuir alto nível de proficiência na aplicação prática de ferramentas de IA em fluxos profissionais.
O estudo ouviu mais de 2.700 estudantes, empregadores e representantes do ensino superior em seis países, incluindo o Brasil. A pesquisa revela que o avanço da inteligência artificial já impacta funções operacionais e atividades repetitivas, especialmente em áreas administrativas, atendimento, suporte e processamento de informações. Fabio Tiepolo, CEO da StaryaAI, acredita que o principal movimento não é a eliminação completa de profissões, mas a transformação das funções desempenhadas pelos profissionais. “A IA transforma funções muito mais do que elimina empregos. Ela assume execução, triagem e análise operacional, enquanto o humano passa a atuar em decisão, supervisão e relacionamento”.
De acordo com o levantamento da Pearson e da AWS, o Brasil aparece entre os países com maior percepção de aceleração na adoção de IA. Entre os líderes do ensino superior brasileiros, 28% classificaram os investimentos em inteligência artificial como significativos, índice superior ao registrado nos Estados Unidos e no Reino Unido. Ainda assim, 42% dos estudantes brasileiros afirmaram não receber orientação institucional sobre o uso da tecnologia. Cinthia Nespoli, CEO da Pearson no Brasil, afirma que a utilização responsável da tecnologia deve fazer parte da formação profissional. “O desafio não é apenas adotar a IA, mas garantir que ela seja utilizada com pensamento crítico, ética e intencionalidade”, avalia.
Decisões corporativas
O tema também foi debatido durante encontro promovido pelo IBEF-PR, em Curitiba, que reuniu executivos financeiros para discutir o impacto da inteligência artificial na tomada de decisões corporativas. Durante o evento, Glaucia Piccolo Rosalen, diretora financeira da Microsoft, comentou que a área financeira passou a ocupar papel estratégico dentro das organizações. “A IA não substitui o julgamento do CFO. Ela libera o CFO para exercê-lo melhor”, ressaltou em sua apresentação. Ela afirmou ainda que as ferramentas de inteligência artificial já são utilizadas para acelerar análises, simular cenários e ampliar a previsibilidade dos negócios, além de destacar que o diferencial das empresas passa a depender da capacidade de interpretar dados e tomar decisões em ambientes de incerteza.
Diante de tal cenário, o avanço da inteligência artificial também tem alterado o perfil das competências valorizadas pelo mercado. As habilidades ligadas à análise crítica, interpretação, tomada de decisão, comunicação e adaptabilidade tendem a ganhar mais relevância à medida que tarefas operacionais são automatizadas. Fabio Tiepolo, StaryaAI, avalia que a adaptação tecnológica tornou-se parte da rotina profissional. “Para se manter relevante, o profissional precisa incorporar a IA como ferramenta de trabalho e não apenas como tendência”.
























