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O mercado imobiliário brasileiro inicia 2026 com níveis elevados de intenção de compra, puxados principalmente por Millennials e pela Geração Z. Levantamento da Brain Inteligência Estratégica, em parceria com a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), indica que 49% das famílias manifestam interesse em adquirir um imóvel, com destaque para os mais jovens: 56% entre a Geração Z (21/28 anos) e 54% entre a Geração Y (29/44 anos). A decisão de compra, porém, vem acompanhada de maior racionalidade financeira. Custos de manutenção, despesas de condomínio e eficiência operacional do imóvel passaram a ter peso relevante na avaliação do investimento.

Esse comportamento se relaciona diretamente com a elevação do custo de vida e com o aumento das despesas ligadas à moradia. Em 2025, enquanto o IPCA acumulou alta de 4,26%, os custos gerais de manutenção das habitações subiram 6,69%, com destaque para a energia elétrica, que avançou 12,31%. O cenário levou muitos compradores a priorizar imóveis com menor custo operacional, durabilidade estrutural e menor necessidade de reformas. A pesquisa também aponta que parte dos interessados ainda não iniciou a busca efetiva por receio de assumir ativos com despesas imprevisíveis ao longo do tempo.

Ao mesmo tempo, limitações de renda e de acesso ao crédito também influenciam as decisões. Dados da pesquisa Retratos do Morar, da Ipsos-Ipec, mostram que 50% dos jovens da Geração Z desejam comprar um imóvel, percentual superior à média nacional. No entanto, 47% afirmam não ter recursos para a entrada do financiamento, 30% citam os preços elevados e 21% apontam os juros como obstáculo. Nesse contexto, cresce a procura por unidades compactas, principalmente em áreas bem localizadas e com acesso a transporte e serviços.

A redução da metragem não significa necessariamente perda de qualidade, mas exige projetos mais eficientes e funcionais. Arquitetos e incorporadoras têm buscado soluções que otimizem o uso do espaço e reduzam custos de manutenção ao longo do tempo. Recursos como plantas flexíveis, sistemas construtivos industrializados, automação residencial e gestão digital de condomínios passam a ser considerados parte da infraestrutura básica de moradia para parte desse público.

Oportunidades

Para o comércio de materiais de construção, o movimento abre novas oportunidades. A preferência por imóveis com menor custo operacional aumenta a relevância de produtos ligados à eficiência energética, economia de água, durabilidade de materiais e redução de manutenção. Sistemas hidráulicos e elétricos mais eficientes, soluções de iluminação econômica, revestimentos de maior resistência e equipamentos que reduzem desperdícios tendem a ganhar espaço nas decisões de compra.

Outra frente está relacionada à adaptação a ambientes compactos. Apartamentos menores demandam soluções que facilitem a instalação, manutenção e otimização do espaço. Ferragens funcionais, sistemas modulares, conexões hidráulicas de montagem rápida e produtos que simplifiquem pequenas reformas podem se tornar itens mais procurados por consumidores que buscam adaptar à moradia às suas necessidades sem elevar os custos.

Além da oferta de produtos, existe a possibilidade do varejo ampliar sua atuação por meio de orientação técnica ao consumidor. Informações claras sobre durabilidade, consumo de energia e água, custos de manutenção e aplicações corretas ajudam o cliente a tomar decisões mais seguras, especialmente em um cenário no qual o imóvel passa a ser analisado também como investimento de longo prazo.

A digitalização do relacionamento também tende a ganhar importância. A Geração Z cresceu em ambientes digitais e costuma buscar informações antes da compra. Conteúdos explicativos, demonstrações práticas, comparativos de desempenho e atendimento por canais digitais podem fortalecer a relação entre o varejo e esse público.

O avanço dessas tendências indica que o setor imobiliário passa por uma mudança na forma como os consumidores avaliam a moradia. Mais do que tamanho ou status, ganham relevância fatores como eficiência, previsibilidade de gastos e funcionalidade. Para o comércio de material de construção, compreender esse comportamento pode representar uma oportunidade de ampliar vendas ao oferecer soluções que ajudem o consumidor a manter o imóvel com custos controlados ao longo do tempo.


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