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Mais uma vez o comércio varejista de material de construção da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) voltou a apresentar retração de seu mercado de trabalho formal, segundo dados do Novo Caged. Depois de registrar 322 empregos a menos em junho, o setor cortou 61 postos de trabalho em julho, resultado de 3.571 admissões contra 3.632 desligamentos. Com isso, o estoque do setor atingiu 91.358 vínculos ativos.

Saldo de empregos do varejo de materiais de construção – RMSP

Fonte: Novo Caged

Dentre os segmentos analisados, os saldos negativos mais agudos em julho foram alcançados pelos estabelecimentos de material de construção em geral (-61 vagas) e de ferragens e ferramentas (-49 vagas). Por outro lado, o segmento de madeira e artefatos liderou o mês positivamente, com 28 novos postos de trabalho.

Movimentação e estoque de empregos celetistas – RMSP – julho de 2026

Com mais essa redução mensal, no acumulado de janeiro a julho de 2026 o setor apresenta praticamente uma estagnação. O saldo é de apenas 5 empregos perdidos, o pior resultado para os sete primeiros meses de um ano desde 2020.

Saldo de empregos do varejo de materiais de construção – RMSP – janeiro a julho de 2026

Fonte: Novo Caged

Novamente dentre as atividades analisadas, observa-se que a maior contraposição de desempenho ocorreu entre o varejo de ferragens e ferramentas, com 141 empregos perdidos ao longo de 2026, e os estabelecimentos de materiais elétricos, com 197 abertas nos primeiros sete meses do ano.

Movimentação e estoque de empregos celetistas – RMSP – janeiro a julho de 2026

Não é de hoje que se sabe que o emprego é um dos indicadores que mais demora a refletir mudanças no ritmo da atividade econômica”, explica o economista Jaime Vasconcellos. Em sua opinião, no caso do varejo de material de construção da RMSP, porém, os dados já apontam há algum tempo para uma perda gradual de dinamismo. “O resultado de julho ajuda a evidenciar esse movimento na margem, mas é sobretudo a estagnação observada ao longo de 2026 que deixa mais clara a mudança em relação aos anos anteriores: o setor consolida um processo de esgotamento do ritmo de expansão de seu quadro funcional”, avalia. Jaime lembra ainda que tal movimento pode refletir tanto uma oferta mais restrita de mão de obra quanto, principalmente, a desaceleração da atividade e das vendas. “Em qualquer dos casos, o desempenho aponta para um mercado de trabalho praticamente estagnado em 2026, com sinais recentes de deterioração”, complementa.

A conjuntura de juros elevados, crédito mais seletivo e demanda enfraquecida, em um ambiente de elevado comprometimento da renda das famílias e baixa capacidade de investimento das empresas, tende a manter esse cenário desafiador nos próximos meses. Diante desse quadro, a perspectiva é de que o varejo de material de construção da RMSP encerre 2026 novamente com mais desligamentos do que admissões de trabalhadores formais, consolidando um segundo ano negativo do emprego no setor.


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