Pelo segundo mês seguido, o volume de vendas do comércio de materiais de construção no Estado de São Paulo apresentou retração quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), em janeiro o recuo foi de 4,0% – o maior desde outubro do ano passado. Inclusive, em relação ao resultado nacional, o índice paulista obteve um tombo ainda mais expressivo, dado que no país a queda foi de 2,3% neste primeiro mês do ano, em contraposição a janeiro de 2025.
Evolução mensal do índice de volume de vendas do comércio de materiais de construção – Mês contra mesmo mês do ano anterior (%)

Fonte: PMC/IBGE
“É relevante observar que nos acumulado dos últimos doze meses, na comparação com os 12 meses imediatamente anteriores, o volume de vendas do comércio de materiais de construção no Estado de São Paulo apresenta queda de 2,2%, retrocesso maior que o nacional, que está em -0,6%”, observa o economista Jaime Vasconcellos. Também se mostra importante citar que a PMC do IBGE considera estabelecimentos com mais de 20 funcionários e de CNAEs (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) tanto do varejo quanto do atacado especializado no comércio de materiais de construção para a elaboração de sua pesquisa.
Evolução do índice de volume de vendas do comércio de materiais de construção do Estado de São Paulo – Taxa acumulada de 12 meses (%)

Fonte: PMC/IBGE
Jaime lembra ainda que não é de hoje que se alerta para a retração das vendas do comércio de materiais de construção na economia paulista. “O cenário de juros e preços altos e orçamento familiar bastante comprometido com dívidas, em atraso ou não, limita a capacidade da renda familiar, que até se sustenta pelo emprego, em realizar novas aquisições, ainda mais de setores mais dependentes de crédito”.
Em sua opinião, os dados de performance do setor em janeiro se mostraram mais fracos do que se esperava, a despeito de não ser uma surpresa tão grande, dada a conjuntura atual da economia brasileira e a base positiva de comparação, janeiro de 2025. “Ainda assim, é um alerta aos empresários, que frente a esta variação negativa do setor, podem avaliar a sua localização dentro ou não deste resultado, bem como replanejar as projeções de vendas, liquidez de caixa, tamanho e sortimento de estoque etc.”, ressalta. Em suma, 2026 mantém o viés de baixa do setor, e em uma tendência marginal, com uma queda até mais forte do que as projeções iniciais.
OBS: O Volume de Vendas observado pela PMC resulta da deflação dos valores nominais correntes da receita bruta de revenda por índices de preços específicos para cada grupo de atividade, e para cada Unidade da Federação, construídos a partir dos relativos de preços do IPCA e do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil – SINAPI. A pesquisa também avalia apenas empresas com 20 ocupados ou mais.
























