As vendas do comércio brasileiro recuaram 0,9% em dezembro de 2025, segundo dados do Índice do Varejo Stone (IVS). Na comparação anual, a retração foi de 1,5%. Com esse desempenho, o varejo encerrou o ano passado com queda acumulada de 0,5% em relação a 2024. O levantamento é realizado mensalmente pela Stone e acompanha a movimentação do varejo em todo o País.
De acordo com o economista e pesquisador da Stone, Guilherme Freitas, os números refletem o enfraquecimento gradual dos fatores que sustentaram o consumo ao longo de 2025. “Os dados mostram que 2025 foi marcado por uma desaceleração progressiva do varejo, com perda de tração mais evidente no fim do ano”, avalia. E complementa: “Embora o mercado de trabalho tenha permanecido robusto e ajudado a sustentar o consumo em diversos momentos, esse impulso encontrou limites em um ambiente financeiro mais restritivo”.
Segundo Guilherme, juros elevados, crédito mais caro e o alto nível de endividamento das famílias reduziram o espaço para novas decisões de compra, sobretudo de bens de maior valor. “Esse conjunto de fatores ajuda a explicar o fechamento negativo do ano”, afirma.
No quarto trimestre de 2025, o volume de vendas do varejo caiu 1,7% em relação ao mesmo período de 2024 e recuou 0,9% frente ao terceiro trimestre do ano. Para o economista da Stone, o resultado evidencia os limites do impulso vindo do mercado de trabalho. “Mesmo em um contexto de desemprego historicamente baixo, o elevado comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida e a piora das condições de crédito passaram a pesar mais sobre o orçamento no último trimestre”, explica. “Esse cenário limitou o consumo e resultou em um desempenho mais fraco do varejo no encerramento de 2025”, completa.
Material de construção se destaca no mês
No recorte mensal, apenas três dos oito segmentos analisados registraram alta em dezembro. O principal destaque foi o setor de material de construção, que avançou 1,7%, seguido por artigos farmacêuticos (0,6%) e combustíveis e lubrificantes (0,3%). Em contrapartida, apresentaram retração livros, jornais, revistas e papelaria (-5,5%), tecidos, vestuário e calçados (-3,4%), hipermercados e supermercados (-3,2%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,5%) e móveis e eletrodomésticos (-0,1%).
Na comparação anual, quatro segmentos encerraram 2025 em alta, com destaque para móveis e eletrodomésticos (2,4%), artigos farmacêuticos (1,5%) e material de construção (0,9%). Já no acumulado do ano, a maior parte dos setores registrou queda, incluindo material de construção (-0,2%).
























