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O brasileiro encerrou 2025 mais endividado do que em 2024, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em dezembro, o percentual de famílias endividadas alcançou 78,9%, o maior nível já registrado para o mês em toda a série histórica da pesquisa, com alta de 2,3 pontos percentuais em relação a dezembro do ano anterior. A inadimplência também avançou no comparativo anual, atingindo 29,4% dos entrevistados.

Na comparação mensal, porém, os indicadores mostraram melhora. Após alcançar o pico histórico de 79,5% em outubro, o endividamento recuou ao longo do último trimestre, chegando ao menor patamar desde julho. O volume de contas em atraso seguiu a mesma trajetória, afastando-se da máxima de 30,5% registrada em outubro e encerrando dezembro em 29,4%, nível semelhante ao observado em abril.

Apesar do desempenho mais favorável no fim do ano, o balanço de 2025 revela maior pressão financeira sobre as famílias em relação a 2024. A redução observada nos últimos meses do ano é atribuída ao maior planejamento dos consumidores e ao efeito sazonal das festas de fim de ano, que impulsionam o comércio e o crédito. Ainda assim, a Peic aponta que o mercado de crédito se tornou mais seletivo ao longo de 2025, em razão da Selic elevada e do aumento da inadimplência no segundo semestre. Como resultado, as dívidas passaram a ter prazos mais curtos: em dezembro, o prazo médio de pagamento foi de 7,1 meses, ante 7,4 meses no mesmo período de 2024.

Destaques por renda

A queda mensal do endividamento foi registrada em todas as faixas de renda, com maior intensidade entre as famílias com ganhos acima de dez salários mínimos. No recorte da inadimplência, o destaque ficou para os lares com renda entre três e cinco salários mínimos, que apresentaram a maior redução tanto na comparação mensal quanto na anual.

O cartão de crédito manteve-se como a principal modalidade de endividamento, presente em 85,1% das famílias endividadas, avanço de 1,3 ponto percentual em relação a 2024. O dado acende um alerta, considerando que essa linha de crédito concentra algumas das maiores taxas de juros do mercado, em torno de 90,1% ao ano. Em contrapartida, o percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas recuou para 12,6%, abaixo do nível observado no ano anterior. A parcela média da renda comprometida com dívidas permaneceu estável em 29,5%.

Perspectivas para 2026

A CNC projeta que tanto o endividamento quanto a inadimplência tendem a recuar no primeiro trimestre de 2026. Segundo Fabio Bentes, economista-chefe da entidade, a melhora sustentável da situação financeira das famílias está diretamente ligada a uma redução gradual da taxa Selic. “Esperamos que, ainda no primeiro semestre, o Banco Central trabalhe com uma Selic mais razoável. O último trimestre teve bons resultados por conta do 13º salário e das datas festivas, mas há um risco iminente de agravamento do ciclo de endividamento, especialmente via cartão de crédito”, avalia.


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