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O desempenho negativo do setor de materiais de construção voltou a pesar sobre os resultados do varejo ampliado brasileiro, que deve registrar retração de 1,31% em outubro de 2025, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. A projeção consta de estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR), em parceria com a FIA Business School.

De acordo com o levantamento, o varejo restrito — que desconsidera os segmentos de veículos e materiais de construção — deve apresentar leve crescimento de 0,36%, enquanto o varejo ampliado, que inclui esses setores, acumula queda de 0,38% no ano. A diferença de desempenho reforça o impacto negativo que a construção civil e o mercado automotivo vêm exercendo sobre o conjunto do varejo.

O segmento de materiais de construção aparece entre os mais afetados pela conjuntura econômica, com retração projetada de 5,58% em outubro. O resultado reflete o ambiente de juros ainda elevados, a restrição no crédito ao consumidor e a desaceleração das obras de pequeno e médio porte, fatores que têm limitado o consumo de insumos para reformas e manutenção residencial.

Nuno Fouto, professor da FIA Business School e coordenador técnico da pesquisa, comenta que o quadro atual mostra uma quadros bastante diferentes entre setores do varejo. “Observamos uma clara polarização, com segmentos essenciais e de consumo recorrente mantendo resiliência, enquanto categorias dependentes de crédito, como materiais de construção, enfrentam dificuldades estruturais”, avalia.

Enquanto o segmento de construção apresenta retração, outras áreas registram comportamento oposto. O setor de tecidos, vestuário e calçados deve crescer 8,52%, impulsionado pelas vendas sazonais de fim de ano. Já artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria mantêm trajetória positiva, com avanço de 2,60%, reforçando a resiliência dos produtos ligados à saúde e bem-estar.

Para o presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, Claudio Felisoni, a tendência é de estabilização gradual até o fim do ano. “Os dados sugerem que o consumidor segue seletivo, priorizando categorias essenciais e oportunidades sazonais, enquanto posterga investimentos de maior valor, como materiais de construção e automóveis”, afirma.

As projeções indicam que o varejo restrito deve encerrar dezembro com alta de 0,74% sobre 2024, ao passo que o varejo ampliado — influenciado pelos setores mais sensíveis ao crédito — deve fechar o ano com queda de 2,08%, embora em trajetória de leve recuperação.


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