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O ambiente corporativo brasileiro vive um momento de alerta em relação à saúde mental. Dados oficiais indicam um aumento expressivo nos afastamentos de profissionais por estresse, ansiedade, depressão e síndrome de burnout. Em 2024, foram registrados 472.328 afastamentos por transtornos mentais, número 68% maior em relação ao ano anterior.

A pressão por resultados, o excesso de demandas, condições de trabalho precárias e episódios de assédio moral estão entre os fatores que mais contribuem para esse cenário. Segundo o psiquiatra Dr. Raphael Quadros de Abreu, “a sobrecarga de trabalho, a pressão por resultados muitas vezes inalcançáveis, as condições laborais precárias, o assédio moral e a falta de políticas adequadas de acolhimento em saúde mental nas empresas são fatores que contribuem diretamente para esse cenário”.

Ao mesmo tempo, as empresas precisam se preparar para a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a exigir, a partir de 2026, a identificação e mitigação de riscos psicossociais, como sobrecarga emocional e assédio moral. Roberto Santos, sócio-diretor da Ateliê RH, comenta que o burnout não é apenas resultado de características individuais, ele decorre de uma combinação de fatores. “Ambientes tóxicos, demandas excessivas e chefias hostis podem levar ao esgotamento até o profissional mais resiliente”, afirma.

Embora traços individuais de personalidade possam influenciar a maior ou menor suscetibilidade ao estresse, o fator determinante para o burnout está na cultura organizacional. “Quando a produtividade é medida apenas por números, sem considerar o bem-estar e o engajamento dos funcionários, o resultado é o aumento do estresse crônico, burnout e absenteísmo”, destaca Dr. Raphael.

Entre as estratégias de prevenção estão a adoção de avaliações comportamentais, políticas de gestão de pessoas voltadas ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional, programas de apoio psicológico e a ampliação do acesso a consultas médicas online. O reconhecimento precoce de sinais como irritabilidade, fadiga, alterações de sono e isolamento social é considerado fundamental. “Compreender quem somos afeta nossa reação às pressões, mas é a cultura e a estrutura ao nosso redor que definem o limite entre desafio saudável e sobrecarga”, resume Santos.

A mensagem é clara: investir em saúde mental não é apenas uma medida de bem-estar, mas uma ação estratégica de gestão. A criação de ambientes corporativos equilibrados reduz afastamentos, preserva talentos e garante maior produtividade, além de atender às novas exigências legais que em breve passarão a vigorar.


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