O comportamento do consumidor na América Latina e, em especial, no Brasil, tem passado por transformações significativas nos últimos anos. Estudos recentes da Worldpanel by Numerator em parceria com a McKinsey & Company e da Neogrid em conjunto com o Opinion Box revelam um comprador mais seletivo, que busca maximizar recursos, equilibrar marcas e canais e, ao mesmo tempo, enfrentar o impacto da inflação na hora de encher o carrinho.
Segundo o relatório “Beyond Omnichannel Grocery: Crescimento na Era dos Shoppers Intencionais”, o consumidor latino-americano está cada vez mais intencional, combinando marcas premium e alternativas econômicas, além de planejar melhor as compras. A consolidação da omnicanalidade e a expansão de canais como atacarejos e lojas de desconto reforçam esse movimento. No Brasil, 88% dos lares já frequentam atacadistas, que representam 21% do gasto em bens de consumo massivo.
Já a pesquisa “Consumo em Tempos de Inflação e Repriorização”, realizada pela Neogrid e Opinion Box, mostra que 95% dos brasileiros perceberam alta nos preços no último ano e 82% substituíram produtos por versões mais baratas. Essa realidade reflete não apenas uma mudança estrutural de hábitos, mas também uma reação conjuntural à pressão da inflação, que chegou a 5,35% no acumulado de 12 meses, segundo o IBGE.
Apesar da busca por economia, alguns comportamentos resistem. O estudo aponta que 73% dos consumidores mantiveram seus “pequenos prazeres”, como chocolates, delivery e refeições fora de casa. Para Christiane Cruz Citrângulo, diretora-executiva de Marketing e Performance da Neogrid, esse aspecto é revelador: “Esses pequenos prazeres cumprem um papel emocional importante: funcionam como válvulas de escape em meio à pressão financeira, permitindo ao consumidor sustentar a sensação de normalidade e bem-estar”.
O cenário também indica uma diversificação das escolhas de marcas. Enquanto premium e marcas próprias crescem na América Latina, no Brasil o movimento de substituição por produtos mais acessíveis ainda convive com a valorização de itens específicos. Essa dualidade reforça que, embora mais cauteloso, o consumidor não se limita ao critério de menor preço. “O estudo mostra como o consumidor brasileiro está cada vez mais atento e disposto a adaptar seus hábitos de compra diante da inflação e da repriorização de gastos. Para a indústria e o varejo, entender esse movimento é essencial”, complementa Christiane.
Para o varejo setorial, esses achados oferecem pistas importantes. A jornada de compra mostra-se mais híbrida, com consumidores que planejam melhor, frequentam múltiplos canais e avaliam com cuidado o custo-benefício. Nesse ambiente, as empresas que conseguirem alinhar preços competitivos, mix adequado de produtos e comunicação clara terão melhores condições de se conectar ao novo perfil do shopper e manter relações de confiança em um mercado desafiador.
























