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Indústria de materiais de construção recua 1,0% em julho


Dados coletados pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT) mostram que o setor registrou faturamento estável em julho na comparação com o mesmo mês de 2025 e queda de 1,0% em relação a junho, considerando dados dessazonalizados. De janeiro a julho, o faturamento deflacionado acumula retração de 2,7% ante igual período do ano passado.

Mesmo com o resultado negativo no acumulado, a ABRAMAT mantém a projeção de crescimento de 0,5% para 2026. A entidade espera redução gradual das perdas durante o segundo semestre.

As informações integram a primeira edição do Pulso ABRAMAT, relatório mensal que reúne informações sobre desempenho da indústria, percepção e expectativas das empresas e indicadores econômicos e setoriais.

Entre os segmentos analisados, os materiais básicos acumulam retração de 2,4%, enquanto os materiais de acabamento apresentam queda de 3,2%.

Mauro Franco, presidente executivo da ABRAMAT, avalia que o desempenho deve ser considerado dentro de uma trajetória de recuperação gradual. “O resultado de julho de 2026 reforça que, embora lenta e não linear, a melhora observada mês a mês deve continuar no segundo semestre, reduzindo as perdas em relação a 2025″, avalia. E destaca: “A projeção de crescimento moderado no ano, de 0,5%, é sustentada pelo desempenho positivo das obras de infraestrutura e do Programa Minha Casa, Minha Vida, além da expectativa de recuperação do Programa Reforma Casa Brasil.”

Empresas esperam melhora nos próximos meses

A sondagem realizada com as empresas do setor revela uma avaliação mais moderada do mercado interno em julho. Entre as companhias consultadas, 47% classificaram as vendas como regulares, 31% como ruins ou muito ruins e 21% como boas ou muito boas. Apenas como referência, em junho, 37% haviam avaliado o desempenho como bom ou muito bom, 37% como regular e 26% como ruim ou muito ruim.

Para agosto, 53% das empresas projetam desempenho regular e 32% esperam vendas boas ou muito boas. A parcela que prevê resultado ruim ou muito ruim recua para 16%.

Mauro acredita que a expectativa para o segundo semestre considera possíveis efeitos das taxas de juros e das mudanças nas condições do Programa Reforma Casa Brasil sobre o crédito e o consumo, embora o cenário macroeconômico ainda limite uma recuperação mais intensa. “O Termômetro ABRAMAT converge para a mesma percepção do Índice ABRAMAT. Pequenas reduções nas taxas de juros e a potencial melhora do Programa Reforma Casa Brasil que teve suas condições revisadas, alavancando sua performance nos últimos meses, devem favorecer o crédito e estimular o consumo e a construção para o segundo semestre, mas a intensidade do seu impacto deve ser moderada em função ainda de um cenário macroeconômico pressionado”, afirma.