Depois de três avanços mensais seguidos, o mercado de trabalho do comércio varejista de material de construção da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) voltou a apresentar mais demissões que contratações. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Novo Caged.
Em abril, 121 postos de trabalho foram extintos, após 3.883 admissões e 4.004 desligamentos. Com isso, o estoque do setor foi a 91,6 mil vínculos formais ativos. É importante considerar que em abril de 2025 havia sido registrado saldo positivo de 233 empregos no setor.
Saldos de empregos do varejo de materiais de construção – RMSP

Fonte: Novo Caged
No recorte dos quatro primeiros meses do ano, o varejo de material de construção da Grande São Paulo apresentou a geração de 273 vagas. Este é o pior início de ano desde 2020, quando se sentiram os primeiros e maiores impactos da pandemia no mercado de trabalho. Apenas para efeito comparativo, o resultado de 2026 foi 68% menor que o visto no mesmo período do ano passado.
Saldos de empregos do varejo de materiais de construção – RMSP – primeiros quadrimestres

Fonte: Novo Caged
Da perda total de 121 vagas neste último mês de abril, 42 vieram dos estabelecimentos varejistas de tintas e materiais para a pintura. Em números absolutos, destaques negativos também no comércio de madeira e artefatos (-36 vagas) e de ferragens e ferramentas (-30 vagas).
Movimentação e estoque de empregos celetistas – RMSP – abril de 2026

Já no primeiro quadrimestre, os resultados que mais se contrapuseram foram dos ramos de madeira e artefatos, com 124 empregos perdidos, e o de materiais de construção em geral, que apresentou criação de 248 vagas.
Movimentação e estoque de empregos celetistas – RMSP – 1° quadrimestre de 2026

O economista Jaime Vasconcellos considera que o resultado negativo da movimentação de trabalhadores formais no varejo de materiais de construção da RMSP em abril foi um “balde de água fria” para um setor que não somente vinha de três resultados mensais seguidos, mas de aumento consecutivo dessa geração de vagas. “Ainda que seja uma perda não tão significativa, ela interrompe uma boa trajetória que vinha sendo registrada e ocorreu na maioria dos segmentos mais profundamente analisados”, ressalta Em sua opinião, tal realidade demonstra a preocupação dos empregadores em relação à economia, ao seu futuro e a própria realidade setorial, bastante impactada por um cenário de dificuldades no consumo das famílias, devido a crédito caro e alto comprometimento de renda. “Esta desafiadora conjuntura impacta o resultado das vendas e consequentemente as decisões de investimento empresariais, como se define o indicador de empregabilidade aqui analisado”, finaliza.
























