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O fim da escala 6×1 pode provocar impactos relevantes no varejo brasileiro e gerar reflexos na economia do País. Estudo desenvolvido pelo IBEVAR – Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo em parceria com a FIA Business School aponta que a mudança no modelo de jornada pode reduzir entre 0,25 e 0,32 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB), dependendo da forma de implantação e do avanço tecnológico das empresas.

Impacto na geração de riqueza — implantação imediata

Segmento

Pequenas

Grandes Redes

% do PIB

Supermercados

-5,9%

-5,0%

2,80%

Tecidos, vestuário, calçados

-6,1%

-5,0%

0,60%

Material de construção

-5,6%

-4,7%

0,60%

Material de escritório

-5,5%

-4,6%

0,20%

Móveis e eletrodomésticos

-5,5%

-4,6%

0,60%

Informática e comunicação

-5,3%

-4,4%

0,40%

Automóveis

-5,0%

-4,1%

1,00%

Combustíveis e lubrificantes

-4,6%

-3,6%

0,80%

Fonte: Estudo ‘Impacto da Mudança da Escala 6 por 1 na Geração de Riqueza pelo Varejo’

O levantamento revela que o varejo seria um dos setores mais afetados pela alteração, principalmente devido às características operacionais de atividades que funcionam diariamente, como supermercados, farmácias e lojas de materiais de construção. Existe a necessidade desses setores em manter equipes durante toda a semana, o que elevaria os custos operacionais. Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, lembra que “o varejo não para. Quando o funcionário folga, alguém precisa ocupar o balcão”.

No cenário de implantação imediata da nova jornada, as perdas na geração de riqueza do varejo poderiam variar entre 3,6% e 6,1%, conforme o segmento e o porte das empresas. O comércio de materiais de construção aparece entre os mais impactados, com retração estimada de 5,6% nas pequenas lojas e de 4,7% nas grandes redes.

O levantamento aponta ainda que grandes redes possuem maior capacidade de adaptação por meio da automação e do uso de tecnologias, enquanto pequenos negócios enfrentariam maiores dificuldades para absorver o aumento dos custos trabalhistas. Entre os exemplos citados estão sistemas de self-checkout, automação logística e inteligência artificial aplicada às operações. Considerando que o varejo representa aproximadamente 8% do PIB nacional, a projeção é de uma queda na geração de riqueza do setor de 0,32 ponto percentual do PIB em um cenário de implantação imediata da medida (redução mínima). O cálculo não inclui efeitos indiretos sobre fornecedores, logística e consumo.

O trabalho do IBEVAR verificou ainda a possibilidade de um período de transição gradual ao longo de dez anos. Nesse caso, o impacto econômico seria menor, especialmente se houver crescimento de produtividade e avanço tecnológico nas empresas. No cenário considerado otimista, a perda cairia de 0,31 ponto percentual no primeiro ano para 0,25 ponto no décimo ano.


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