Cartilha para colaboradores
Apostas: quando a diversão deixa de ser diversão
Informação para decidir. Apoio para recomeçar.
Apostar pode começar como uma diversão, um momento de lazer. Para a maioria das pessoas, continua sendo só isso. Mas, para algumas pessoas, apostar pode virar algo difícil de controlar — e isso não tem relação com força de vontade ou caráter. É reconhecido como uma questão de saúde, e questões de saúde precisam e têm tratamento.
Esta cartilha não é uma cobrança nem uma investigação. É um convite para você olhar para o assunto com calma, sem culpa, e saber que existe apoio caso você (ou alguém que você conhece) precise dele.
O que é o transtorno do jogo
Segundo o Ministério da Saúde, o transtorno do jogo é uma condição de saúde. Ele aparece quando a pessoa tem dificuldade para controlar as apostas, mesmo quando isso já está trazendo prejuízos financeiros, familiares, profissionais ou emocionais.
Não é sobre “força de vontade”. É uma condição reconhecida, que pode ser tratada, e que fica mais fácil de lidar quanto antes for identificada.
Um momento para refletir, só para você
As perguntas abaixo não precisam ser respondidas em voz alta, escritas ou entregues a ninguém. Elas são apenas um convite para você observar sua própria relação com as apostas. Se você reconhecer várias dessas situações na sua rotina, isso não é um julgamento — é um sinal de que pode valer a pena conversar com alguém ou buscar orientação profissional.
Toque para marcar só para você — nada aqui é salvo ou enviado a ninguém.
Se você respondeu “sim” para algumas dessas perguntas, isso não te define. É apenas uma informação a mais — e um bom motivo para buscar apoio antes que a situação fique mais pesada.
Isso pode acontecer com qualquer pessoa
Uso problemático de apostas não escolhe idade, profissão ou nível de renda. Pode começar de forma leve e crescer aos poucos, muitas vezes sem a pessoa perceber o momento em que deixou de ser só diversão.
Buscar ajuda cedo custa muito menos — para você, para sua família e para a sua rotina — do que esperar a situação se agravar.
Medidas que você pode tomar agora
Se você sentiu que alguma das situações acima faz sentido para você, aqui estão passos simples que podem ajudar hoje mesmo:
Onde buscar apoio
Esses canais são públicos, gratuitos e sigilosos. Procurá-los é uma escolha sua, e essa decisão não precisa ser compartilhada com ninguém na empresa.
Meu SUS Digital
Aplicativo do SUS com o miniaplicativo “Problemas com jogos de apostas?”. Tem um autoteste privado e encaminhamento para teleatendimento quando indicado.
UBS (Unidade Básica de Saúde)
Pode ser o primeiro passo para conversar presencialmente com um profissional de saúde, perto de casa.
CAPS (Centro de Atenção Psicossocial)
Para quem precisa de acompanhamento mais especializado, a UBS pode encaminhar ao CAPS.
Plataforma Centralizada de Autoexclusão
Permite bloquear suas contas em casas de apostas autorizadas, impedir a abertura de novas contas com o seu CPF e parar de receber propaganda direcionada de apostas.
Familiares também podem procurar orientação nesses mesmos canais, mesmo sem a pessoa presente.
Para quem tem alguém próximo passando por isso
Se você percebeu que um familiar está com dificuldade para controlar as apostas, algumas atitudes ajudam mais do que outras.
O que ajuda
- Conversar sem acusação, com calma, escolhendo um momento tranquilo.
- Preservar as despesas essenciais da casa (aluguel, alimentação, contas fixas).
- Organizar temporariamente os pagamentos da família, se for necessário.
- Buscar orientação tanto para a pessoa quanto para quem está por perto — o apoio também é para a família.
O que evitar
- Entregar dinheiro repetidamente com a promessa de “recuperar as perdas” — isso costuma alimentar o ciclo, não solucionar a situação.
- Assumir novas dívidas em nome da pessoa sem entender a real dimensão do problema.
- Frases que soam como julgamento (“você é descontrolado”, “isso é falta de vergonha”). Prefira: “eu percebi algumas mudanças e quero entender como posso ajudar”.
Um lembrete importante
Pedir informação ou apoio é sempre voluntário. Ninguém é obrigado a contar nada sobre sua vida pessoal para a empresa, e buscar ajuda não gera nenhuma consequência profissional.
Esta cartilha tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento de um profissional de saúde. Em caso de dúvida, o caminho mais seguro é sempre procurar orientação profissional pelos canais indicados acima.















