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Por Jaime Vasconcellos, economista.

A edição de setembro da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE) mostrou que o volume de vendas do comércio de materiais de construção apresentou recuo de 8,3% em comparação com o mesmo mês do ano passado no Estado de São Paulo. Esta foi a terceira retração na comparação interanual a ser registrada no ano. No Brasil a queda em setembro foi ainda mais acentuada, de -10,3%.

Evolução mensal do índice de volume de vendas do comércio de materiais de construção – Mês contra mesmo mês do ano anterior

Fonte: PMC/IBGE

Ao observarmos o desempenho acumulado no ano e nos doze meses, ambos finalizados no ultimo mês de setembro, veremos continuidade no arrefecimento dos números positivos, ainda que continuem naturalmente significativos. Para a esfera estadual, o volume de vendas no comércio de materiais de construção avança 11,5% em relação ao período janeiro-setembro de 2020 e cresce 15% no acumulado desde outubro de 2021. Ambos os indicadores já ficaram acima do patamar de 25%, mas desde maio passado sofrem com uma retração constante.

Evolução mensal do índice de volume de vendas do comércio de materiais de construção no Estado de SP – taxa de 12 meses e do acumulado no ano

Fonte: PMC/IBGE

Como o alertado anteriormente, era sabido que no segundo semestre de 2021 iríamos comparar o volume de vendas atual com o pico de 2020. Este processo estatístico de termos uma base forte de comparação auxilia entendermos as quedas recentes de vendas apresentadas pelo IBGE. A segunda metade do ano passado foi marcada por continuidade do isolamento social, da utilização do home office e por uma conjuntura de juros e inflação baixos, bem como retomada ligeira do mercado de imobiliário. Este cenário garantiu aumento de vendas do setor aqui analisado.

Já o cenário atual é de acomodação, não apenas proveniente de um natural equilíbrio pós ápice do setor, mas também pelos impactos diretos da inflação de suas mercadorias, além, é claro, do avanço geral de preços à população no país e do aumento dos juros básicos da economia (justificado pelo processo inflacionário), puxando para cima o custo do crédito às famílias, inclusive das linhas de crédito imobiliário. Esta negativa tendência de volume de vendas deve ser visível em demais meses de 2021. Sua magnitude de queda é que podem aumentar as atuais preocupações.


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