{"id":17054,"date":"2026-09-02T09:18:00","date_gmt":"2026-09-02T12:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=17054"},"modified":"2026-09-01T14:23:09","modified_gmt":"2026-09-01T17:23:09","slug":"pib-cresce-menos-no-2o-tri-e-reforca-preocupacao-com-o-ritmo-da-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=17054","title":{"rendered":"PIB cresce menos no 2\u00ba tri e refor\u00e7a preocupa\u00e7\u00e3o com o ritmo da economia"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2026-09-01T17:19:07.388Z\">1 de setembro de 2026<\/time><\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Jaime Vasconcellos, economista.<br>O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, mas o resultado traz uma mensagem importante para o com\u00e9rcio: a economia est\u00e1 crescendo em ritmo mais lento. O desempenho veio depois da expans\u00e3o de 1,1% registrada no primeiro trimestre e confirma uma desacelera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 vinha sendo projetada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os grandes segmentos da economia, a agropecu\u00e1ria teve crescimento de 2,8% na compara\u00e7\u00e3o com o primeiro trimestre. A ind\u00fastria apresentou alta de apenas 0,1% e os servi\u00e7os avan\u00e7aram 0,2%. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao segundo trimestre de 2025, o PIB cresceu 2,0%, enquanto Ind\u00fastria e Servi\u00e7os registraram expans\u00e3o de 1,5% cada. J\u00e1 o agro chamou novamente aten\u00e7\u00e3o, com aumento de 6,8%<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado agregado ainda \u00e9 positivo, mas a an\u00e1lise de seus componentes mostra uma economia com menor capacidade de acelera\u00e7\u00e3o. O principal sinal de aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 no consumo das fam\u00edlias, que caiu 0,4% na passagem do primeiro para o segundo trimestre, ap\u00f3s crescer 0,8% no per\u00edodo anterior. Essa queda \u00e9 especialmente relevante porque o consumo das fam\u00edlias representa mais de 60% do PIB brasileiro pela \u00f3tica da demanda. Portanto, quando esse componente perde for\u00e7a, o impacto sobre a atividade econ\u00f4mica \u00e9 significativo. O resultado do segundo trimestre mostra justamente isso: apesar de a economia ainda ter crescido, a demanda das fam\u00edlias n\u00e3o acompanhou o ritmo observado no in\u00edcio do ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o com\u00e9rcio, o indicador \u00e9 ainda mais sens\u00edvel. O varejo est\u00e1 diretamente conectado ao consumidor final e, por isso, costuma captar antecipadamente mudan\u00e7as na renda, no cr\u00e9dito, no endividamento e na confian\u00e7a. Uma redu\u00e7\u00e3o na disposi\u00e7\u00e3o de consumo tende a aparecer no setor antes de se tornar uma tend\u00eancia mais evidente em outros segmentos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Valor adicionado do com\u00e9rcio mostra acomoda\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro dado que merece destaque \u00e9 o comportamento do valor adicionado do com\u00e9rcio, indicador pouco explorado nas an\u00e1lises mais gerais sobre o PIB, mas de grande relev\u00e2ncia para os empres\u00e1rios do setor. O com\u00e9rcio apresentou varia\u00e7\u00e3o de 0,0% no segundo trimestre, permanecendo estagnado em compara\u00e7\u00e3o ao primeiro trimestre, quando havia crescido 0,8%. Na compara\u00e7\u00e3o com o segundo trimestre de 2025, o crescimento foi de 0,9%, abaixo do avan\u00e7o de 1,0% observado no primeiro trimestre e inferior tamb\u00e9m \u00e0 m\u00e9dia de 1,5% registrada pelo setor de Servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse desempenho refor\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o de que a desacelera\u00e7\u00e3o da atividade j\u00e1 alcan\u00e7a diretamente o com\u00e9rcio. O setor n\u00e3o apresentou retra\u00e7\u00e3o, mas deixou de crescer na margem, em um ambiente no qual o consumo das fam\u00edlias tamb\u00e9m recuou, considerando juros altos e seletivos, al\u00e9m do perigoso n\u00edvel de endividamento e inadimpl\u00eancia dos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Constru\u00e7\u00e3o civil sente os efeitos dos juros elevados<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o com\u00e9rcio de materiais de constru\u00e7\u00e3o, h\u00e1 ainda outro indicador que merece aten\u00e7\u00e3o: o desempenho da pr\u00f3pria ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o civil. O setor recuou 0,4% no segundo trimestre em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro, depois de ter apresentado forte expans\u00e3o de 2,8% nos tr\u00eas primeiros meses do ano. Na compara\u00e7\u00e3o com o segundo trimestre de 2025, entretanto, ainda registrou crescimento de 1,0%, abaixo dos 1,5% da ind\u00fastria geral e dos 2,0% do PIB nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado sugere que a constru\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m come\u00e7a a sentir com maior intensidade as condi\u00e7\u00f5es financeiras mais restritivas. Por sua pr\u00f3pria natureza, a atividade \u00e9 particularmente dependente de cr\u00e9dito e de decis\u00f5es de investimento de prazo mais longo, tanto para empresas quanto para as fam\u00edlias. Em um ambiente de Selic elevada, financiamento mais caro e agentes econ\u00f4micos mais endividados, a capacidade de sustentar novos projetos e ampliar investimentos tende a ficar mais limitada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o com\u00e9rcio de materiais de constru\u00e7\u00e3o, essa din\u00e2mica \u00e9 especialmente relevante, pois a demanda do setor est\u00e1 diretamente relacionada ao ritmo das obras, reformas e investimentos imobili\u00e1rios. Assim, a retra\u00e7\u00e3o de 0,4% na margem da constru\u00e7\u00e3o funciona como mais um sinal de que os efeitos dos juros elevados come\u00e7am a aparecer com maior clareza em segmentos sens\u00edveis \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trajet\u00f3ria do PIB acumulado em quatro trimestres completa esse quadro. At\u00e9 junho, a economia cresceu 1,9%, contra 2,0% nos quatro trimestres encerrados em mar\u00e7o e 2,3% no encerramento de 2025. A taxa est\u00e1, portanto, em sintonia com a expectativa de uma economia mais fraca em 2026. Depois de cinco anos com taxas superiores de crescimento, o Brasil dever\u00e1 terminar este ano com uma expans\u00e3o pr\u00f3xima de 2%, o que dever\u00e1 representar o pior resultado anual desde 2020, quando a economia foi fortemente afetada pelos efeitos da pandemia. O mais importante, portanto, \u00e9 que o PIB do segundo trimestre n\u00e3o contradiz o diagn\u00f3stico que vinha sendo apresentado. Ao contr\u00e1rio, os n\u00fameros refor\u00e7am a percep\u00e7\u00e3o de que a atividade entrou em uma fase de menor crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para os empres\u00e1rios, esse cen\u00e1rio torna ainda mais necess\u00e1rio acompanhar os indicadores macroecon\u00f4micos. Juros, cr\u00e9dito, emprego, renda, infla\u00e7\u00e3o, confian\u00e7a e consumo ajudam a compreender antecipadamente o ambiente no qual as empresas operar\u00e3o. Para os dois \u00faltimos trimestres do ano, n\u00e3o h\u00e1, no momento, sinais de uma altera\u00e7\u00e3o relevante desse quadro. A tend\u00eancia \u00e9 de continuidade de um crescimento moderado, com demanda mais seletiva e pouco espa\u00e7o para uma acelera\u00e7\u00e3o significativa da economia.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jaime Vasconcellos, economista.O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, mas o resultado traz uma mensagem importante para o com\u00e9rcio: a economia est\u00e1 crescendo em ritmo mais lento. O desempenho veio depois da expans\u00e3o de 1,1% registrada no primeiro trimestre e confirma uma desacelera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 vinha sendo projetada. 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