{"id":16398,"date":"2026-06-16T08:42:14","date_gmt":"2026-06-16T11:42:14","guid":{"rendered":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=16398"},"modified":"2026-06-16T08:42:15","modified_gmt":"2026-06-16T11:42:15","slug":"carta-de-conjuntura-junho-de-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=16398","title":{"rendered":"Carta de Conjuntura &#8211; Junho de 2026"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2026-06-16T11:24:46.528Z\">16 de junho de 2026<\/time><\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por Jaime Vasconcellos, economista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A economia brasileira continua com sinais contradit\u00f3rios. De um lado, a atividade econ\u00f4mica continua demonstrando resili\u00eancia superior \u00e0 esperada no in\u00edcio do ano. As proje\u00e7\u00f5es para o crescimento do PIB em 2026 seguem sendo revisadas gradualmente para cima, chegando a 2%, impulsionadas ainda pelo bom desempenho do mercado de trabalho, pela expans\u00e3o da massa salarial e por um consumo das fam\u00edlias que continua sustentado. De outro lado, a infla\u00e7\u00e3o retornou a ocupar o centro das preocupa\u00e7\u00f5es e passou a representar o principal fator de risco para a economia nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados mais recentes mostram que o IPCA acumulado em 12 meses (4,72%) passou a superar novamente o teto da meta perseguida pelo Banco Central (4,5%). Mais do que um simples desvio tempor\u00e1rio, o comportamento dos pre\u00e7os tem revelado uma infla\u00e7\u00e3o mais disseminada e persistente do que se projetava h\u00e1 alguns meses. Alimentos voltaram a ficar pressionados por quest\u00f5es relacionadas \u00e0 oferta e aos custos log\u00edsticos, enquanto diversos segmentos de servi\u00e7os seguem apresentando trajet\u00f3rias ainda incompat\u00edveis com um processo consistente de converg\u00eancia inflacion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse quadro tem produzido reflexos diretos sobre a pol\u00edtica monet\u00e1ria. Embora o ciclo de redu\u00e7\u00e3o da taxa Selic deva prosseguir na reuni\u00e3o de junho do Copom, com a expectativa de novo corte 0,25 ponto percentual, n\u00e3o seria uma surpresa uma paralisa\u00e7\u00e3o deste al\u00edvio monet\u00e1rio. At\u00e9 porque, se a Selic estivesse mais baixa, o cen\u00e1rio atual muito provavelmente justificaria a manuten\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para empresas e consumidores, esse cen\u00e1rio significa que o custo do cr\u00e9dito dever\u00e1 permanecer elevado por um per\u00edodo mais longo do que se projetava anteriormente. Financiamentos, empr\u00e9stimos e opera\u00e7\u00f5es de capital de giro continuar\u00e3o operando em condi\u00e7\u00f5es restritivas, limitando investimentos e reduzindo a capacidade de expans\u00e3o de diversos setores da economia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar desse ambiente mais desafiador, o mercado de trabalho segue sendo a principal fonte de sustenta\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica. A manuten\u00e7\u00e3o de baixos n\u00edveis de desemprego e o crescimento da renda do trabalho continuam contribuindo para preservar o consumo das fam\u00edlias, evitando uma desacelera\u00e7\u00e3o mais intensa da economia. Essa combina\u00e7\u00e3o, aliada a uma pol\u00edtica fiscal frouxa, ajuda a explicar por que as proje\u00e7\u00f5es de crescimento para 2026 permanecem positivas mesmo diante de juros elevados e infla\u00e7\u00e3o resistente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, a sustenta\u00e7\u00e3o do consumo tem ocorrido cada vez mais com o aux\u00edlio do cr\u00e9dito. A Pesquisa de Endividamento e Inadimpl\u00eancia do Consumidor (PEIC), divulgada pela CNC, revelou que o percentual de fam\u00edlias brasileiras endividadas alcan\u00e7ou 81,6% em maio, registrando o quinto aumento consecutivo e renovando o maior patamar de toda a s\u00e9rie hist\u00f3rica. O dado evidencia uma crescente depend\u00eancia do cr\u00e9dito para manuten\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es de consumo em um ambiente de renda pressionada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A composi\u00e7\u00e3o desse endividamento tamb\u00e9m preocupa. O cart\u00e3o de cr\u00e9dito permanece, de forma isolada, como a principal modalidade utilizada pelas fam\u00edlias brasileiras, estando presente em 84,6% dos lares endividados. E o uso do cart\u00e3o para cobrir compras rotineiras amplia a vulnerabilidade financeira das fam\u00edlias e eleva o risco de crescimento da inadimpl\u00eancia nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o varejo de materiais de constru\u00e7\u00e3o, o cen\u00e1rio permanece desafiador. A manuten\u00e7\u00e3o dos juros em patamar elevado continua limitando o acesso ao cr\u00e9dito para reformas, amplia\u00e7\u00f5es e investimentos imobili\u00e1rios, enquanto a infla\u00e7\u00e3o reduz o poder de compra das fam\u00edlias e torna o consumo cada vez mais seletivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o mercado de trabalho aquecido continue sustentando parte da demanda, o n\u00edvel recorde de endividamento dos consumidores representa um fator adicional de preocupa\u00e7\u00e3o, ao comprometer parcela crescente da renda familiar e restringir a capacidade de realiza\u00e7\u00e3o de gastos de maior valor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em s\u00edntese, o primeiro semestre encerra-se pior do que se projetava no in\u00edcio do ano. A expectativa para a segunda metade de 2026 repousa sobre uma eventual melhora do ambiente inflacion\u00e1rio e uma retomada mais consistente do processo de redu\u00e7\u00e3o dos juros, fatores que poderiam devolver parte do f\u00f4lego ao consumo, ao cr\u00e9dito e aos investimentos ligados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e \u00e0 habita\u00e7\u00e3o. Infelizmente, isso \u00e9 mais esperan\u00e7a do que proje\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ESTIMATIVAS PARA A ECONOMIA BRASILEIRA NO FECHAMENTO DE 2026:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>PIB: 2,00%<\/li>\n\n\n\n<li>Infla\u00e7\u00e3o (IPCA\/IBGE): 5,35%<\/li>\n\n\n\n<li>Taxa SELIC: 13,75% a.a.<\/li>\n\n\n\n<li>Taxa de C\u00e2mbio: 5,20<\/li>\n\n\n\n<li>Balan\u00e7a comercial (em US$): + 75 bi<\/li>\n\n\n\n<li>Taxa de desocupa\u00e7\u00e3o ao fim do ano (PNADc\/IBGE): 5,3%<\/li>\n\n\n\n<li>Volume de vendas do com\u00e9rcio ampliado BR (PMC IBGE\/12 meses): +0,8%<\/li>\n\n\n\n<li>Volume de servi\u00e7os BR (PMS IBGE\/12 meses): +2,5%<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jaime Vasconcellos, economista. A economia brasileira continua com sinais contradit\u00f3rios. 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