{"id":16244,"date":"2026-06-01T09:07:00","date_gmt":"2026-06-01T12:07:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=16244"},"modified":"2026-05-30T13:14:37","modified_gmt":"2026-05-30T16:14:37","slug":"pib-avanca-mas-comercio-segue-com-desempenho-abaixo-da-media","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=16244","title":{"rendered":"PIB avan\u00e7a, mas com\u00e9rcio segue com desempenho abaixo da m\u00e9dia"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2026-06-01T09:07:00-03:00\">1 de junho de 2026<\/time><\/div>\n\n\n<p>Por Jaime Vasconcellos, economista.<br><br>A economia brasileira iniciou 2026 com crescimento de 1,1% no primeiro trimestre frente aos tr\u00eas meses anteriores, considerando os dados com ajuste sazonal, conforme divulga\u00e7\u00e3o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) nesta sexta-feira (29). O resultado mostra recupera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao ritmo mais fraco observado no segundo semestre de 2025 e ficou dentro das expectativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os setores produtivos, a agropecu\u00e1ria liderou o avan\u00e7o da atividade econ\u00f4mica ao registrar alta de 2,0% no trimestre. A ind\u00fastria apresentou expans\u00e3o de 1,0%, com contribui\u00e7\u00e3o relevante das atividades extrativas. J\u00e1 o setor de servi\u00e7os, respons\u00e1vel pela maior parcela do PIB nacional, cresceu 0,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>No com\u00e9rcio, entretanto, o desempenho permaneceu mais contido do que a m\u00e9dia da economia brasileira. O setor registrou crescimento de 0,6% frente ao trimestre anterior, avan\u00e7o equivalente a pouco mais da metade do resultado do PIB nacional. Na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2025, a atividade comercial cresceu 1,0%, tamb\u00e9m abaixo da expans\u00e3o de 1,8% observada para a economia brasileira. Considerando o acumulado dos \u00faltimos quatro trimestres, o com\u00e9rcio registra alta de apenas 0,8%, enquanto o PIB nacional avan\u00e7a 2,0%.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela \u00f3tica da demanda, o consumo das fam\u00edlias avan\u00e7ou 1,0% no trimestre, favorecido ainda pelo mercado de trabalho resiliente e pela expans\u00e3o da renda. Os investimentos cresceram 3,5% no per\u00edodo e o consumo do governo apresentou eleva\u00e7\u00e3o de 0,4%, todos em rela\u00e7\u00e3o ao fim de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 na compara\u00e7\u00e3o com o primeiro trimestre do ano passado, o crescimento de 1,8% do PIB confirma continuidade da expans\u00e3o econ\u00f4mica, por\u00e9m em intensidade menor do que a observada anteriormente. No primeiro trimestre de 2025, por exemplo, a economia brasileira havia crescido 3,1% frente ao mesmo per\u00edodo de 2024.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>An\u00e1lise<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O resultado do primeiro trimestre mostra uma economia ainda em crescimento, mas j\u00e1 em ritmo acumulado menos intenso do que o observado nos \u00faltimos anos. A acelera\u00e7\u00e3o frente ao fim de 2025 chama aten\u00e7\u00e3o, especialmente ap\u00f3s os avan\u00e7os modestos registrados no terceiro e quarto trimestre do ano passado. Ainda assim, parte importante deste desempenho j\u00e1 era esperada, principalmente devido \u00e0 for\u00e7a da agropecu\u00e1ria neste per\u00edodo do ano, marcada pela sazonalidade positiva das principais safras, especialmente a soja.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando observada em uma perspectiva mais ampla, a atividade econ\u00f4mica brasileira segue perdendo intensidade gradualmente. A evolu\u00e7\u00e3o dos resultados trimestrais na compara\u00e7\u00e3o anual mostra desacelera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do crescimento, indicando perda de dinamismo da economia dom\u00e9stica. A expectativa inclusive \u00e9 de que o PIB brasileiro encerre 2026 com expans\u00e3o inferior a 2%, mantendo uma sequ\u00eancia de seis anos consecutivos de crescimento, por\u00e9m em um cen\u00e1rio mais evidente de desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>O comportamento do com\u00e9rcio refor\u00e7a esse ambiente de modera\u00e7\u00e3o da atividade. Mesmo permanecendo no campo positivo, o setor cresce abaixo da m\u00e9dia nacional e sente diretamente os efeitos de um consumo mais pressionado. O atual cen\u00e1rio de juros elevados, cr\u00e9dito caro e elevado comprometimento da renda das fam\u00edlias reduz a disposi\u00e7\u00e3o do consumidor para compras de maior valor, aumentando a seletividade dos gastos e priorizando despesas essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse comportamento afeta principalmente segmentos mais dependentes de financiamento e renda dispon\u00edvel, como o com\u00e9rcio de materiais de constru\u00e7\u00e3o, que tende a enfrentar um ambiente mais desafiador ao longo de 2026. Com o consumidor mais cauteloso, reformas, amplia\u00e7\u00f5es e investimentos dom\u00e9sticos de maior porte acabam sendo adiados, limitando uma recupera\u00e7\u00e3o mais consistente das vendas do setor no curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jaime Vasconcellos, economista. 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