{"id":16211,"date":"2026-05-27T08:54:10","date_gmt":"2026-05-27T11:54:10","guid":{"rendered":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=16211"},"modified":"2026-05-27T08:54:11","modified_gmt":"2026-05-27T11:54:11","slug":"carta-de-conjuntura-maio-de-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=16211","title":{"rendered":"Carta de Conjuntura &#8211; Maio de 2026"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2026-05-27T08:54:10-03:00\">27 de maio de 2026<\/time><\/div>\n\n\n<p><strong>Por Jaime Vasconcellos, economista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio econ\u00f4mico brasileiro em maio continua marcado por uma combina\u00e7\u00e3o de resili\u00eancia com aumento relevante das incertezas. A economia ainda apresenta crescimento moderado, dado que o mercado vem revisando as proje\u00e7\u00f5es do PIB deste ano cada vez mais pr\u00f3ximas dos 2%. Parte importante dessa melhora nas expectativas est\u00e1 relacionada ao desempenho mais forte da atividade econ\u00f4mica no in\u00edcio do ano. O avan\u00e7o do IBC-Br, indicador do Banco Central considerado uma esp\u00e9cie de pr\u00e9via do PIB, acumulou crescimento de cerca de 1,3% no primeiro trimestre, refor\u00e7ando a percep\u00e7\u00e3o de que a desacelera\u00e7\u00e3o da economia pode ocorrer de maneira menos intensa do que se projetava anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p>O principal ponto de aten\u00e7\u00e3o segue sendo a infla\u00e7\u00e3o. As expectativas inflacion\u00e1rias continuam avan\u00e7ando de forma persistente, inclusive acima do teto da meta do Banco Central, indicando que o processo de descompress\u00e3o dos pre\u00e7os tem se mostrado mais lento e dif\u00edcil do que se imaginava. Isso acaba afetando diretamente a confian\u00e7a econ\u00f4mica e reduzindo o espa\u00e7o para uma trajet\u00f3ria mais confort\u00e1vel dos juros.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, aumenta o risco de manuten\u00e7\u00e3o da taxa SELIC em patamar elevado por mais tempo. Ainda que o ciclo mais agressivo de alta tenha ficado para tr\u00e1s, n\u00e3o se exclui a possibilidade de juros elevados durante boa parte do horizonte relevante.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o empres\u00e1rio, especialmente no varejo de material de constru\u00e7\u00e3o, isso significa cr\u00e9dito caro, capital de giro pressionado, maior dificuldade para investir e um consumidor ainda bastante dependente de parcelamentos e financiamento. Sendo que os alt\u00edssimos n\u00edveis de endividamento e inadimpl\u00eancia desses mesmos consumidores t\u00eam significado um freio \u00e0 performance do nosso setor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dessas dificuldades, a economia brasileira segue encontrando algum suporte no mercado de trabalho. O emprego continua relativamente resiliente e ajuda a sustentar parte da renda das fam\u00edlias. Por\u00e9m, esse fator j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente para produzir uma sensa\u00e7\u00e3o mais ampla de conforto financeiro. O consumidor segue convivendo com elevado comprometimento de renda e perda de capacidade de compra diante de um custo de vida pressionado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, isso vem consolidando um comportamento mais cauteloso por parte das fam\u00edlias. O consumo permanece seletivo, com maior sensibilidade a pre\u00e7os, promo\u00e7\u00f5es e condi\u00e7\u00f5es de pagamento. Setores ligados ao varejo de bens dur\u00e1veis, reformas e melhorias de maior valor agregado continuam sentindo mais fortemente esse ambiente de prud\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto de aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 no setor de combust\u00edveis. Especialistas afirmam que os pre\u00e7os dom\u00e9sticos da gasolina e do diesel apresentam razo\u00e1vel defasagem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s cota\u00e7\u00f5es internacionais do petr\u00f3leo. Caso haja necessidade de reajustes futuros, os impactos tendem a se espalhar rapidamente pelos custos log\u00edsticos e pela infla\u00e7\u00e3o, pressionando ainda mais empresas e consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o c\u00e2mbio tem apresentado comportamento relativamente mais comportado, o que ajuda a evitar uma deteriora\u00e7\u00e3o maior do cen\u00e1rio inflacion\u00e1rio. A estabilidade recente do d\u00f3lar est\u00e1 funcionando como um importante fator de conten\u00e7\u00e3o de press\u00f5es adicionais sobre os pre\u00e7os, especialmente em setores dependentes de importa\u00e7\u00f5es e insumos dolarizados.<\/p>\n\n\n\n<p>No ambiente dom\u00e9stico, os empres\u00e1rios tamb\u00e9m acompanham com cautela as discuss\u00f5es envolvendo as mudan\u00e7as da jornada semanal de trabalho e a proibi\u00e7\u00e3o da escala 6&#215;1. Est\u00e1 cada vez mais claro que a pauta (com forte apelo eleitoral) avan\u00e7ar\u00e1, sobrando apenas a forma e o prazo para in\u00edcio de vig\u00eancia dos novos regramentos. E este t\u00f3pico adiciona ainda mais incerteza ao planejamento das empresas, principalmente nos segmentos mais intensivos em m\u00e3o de obra e entre micro e pequenos neg\u00f3cios, que possuem menor flexibilidade operacional e financeira para absorver mudan\u00e7as abruptas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, maio refor\u00e7a um cen\u00e1rio de crescimento moderado, por\u00e9m cercado de d\u00favidas importantes. A atividade econ\u00f4mica continua demonstrando alguma resili\u00eancia, mas convivendo com infla\u00e7\u00e3o persistente, juros elevados e aumento das incertezas sobre custos e o ambiente regulat\u00f3rio. Para o empresariado, o mantra de cuidados extremos se mant\u00e9m: cautela, disciplina financeira (fluxo e liquidez de caixa) e aten\u00e7\u00e3o constante ao comportamento de um consumidor ainda bastante pressionado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESTIMATIVAS PARA A ECONOMIA BRASILEIRA NO FECHAMENTO DE 2026:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>PIB:<\/strong> 1,95%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Infla\u00e7\u00e3o (IPCA\/IBGE)<\/strong>: 5,1%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Taxa SELIC<\/strong>: 13,25% a.a.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Taxa de C\u00e2mbio:<\/strong> 5,15<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Balan\u00e7a comercial (em US$)<\/strong>: + 75 bi<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Taxa de desocupa\u00e7\u00e3o ao fim do ano (PNADc\/IBGE):<\/strong> 5,3%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Volume de vendas do com\u00e9rcio ampliado BR (PMC IBGE\/12 meses)<\/strong>: +0,8%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Volume de servi\u00e7os BR (PMS IBGE\/12 meses)<\/strong>: +2,5%<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jaime Vasconcellos, economista. 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