{"id":15906,"date":"2026-04-17T11:29:00","date_gmt":"2026-04-17T14:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=15906"},"modified":"2026-04-17T11:29:01","modified_gmt":"2026-04-17T14:29:01","slug":"carta-de-conjuntura-abril-de-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=15906","title":{"rendered":"Carta de Conjuntura &#8211; abril de 2026"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2026-04-17T11:29:00-03:00\">17 de abril de 2026<\/time><\/div>\n\n\n<p>Em que p\u00e9 est\u00e1 a economia brasileira? 2026 segue confirmando uma trajet\u00f3ria de desacelera\u00e7\u00e3o do nosso crescimento, ainda que o cen\u00e1rio esteja um pouco menos pessimista do que se projetava no in\u00edcio do ano. As estimativas mais recentes indicam que o PIB deve crescer pr\u00f3ximo de 2%, e n\u00e3o mais em torno de 1,5% como se imaginava anteriormente. Ainda assim, trata-se de um ritmo moderado de expans\u00e3o, distante de um ciclo anterior mais robusto de crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos principais fatores que sustentam essa resili\u00eancia da atividade econ\u00f4mica \u00e9 o mercado de trabalho. O emprego continua relativamente aquecido e tem funcionado como um importante amortecedor da desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. No entanto, j\u00e1 se observam sinais claros de perda de ritmo, tanto na queda da taxa de desocupa\u00e7\u00e3o quanto na gera\u00e7\u00e3o de novas vagas formais. Ainda assim, o n\u00edvel de emprego segue contribuindo para manter a renda das fam\u00edlias relativamente sustentada.<\/p>\n\n\n\n<p>O grande desafio para 2026 est\u00e1 no consumo das fam\u00edlias, que representa quase dois ter\u00e7os do PIB brasileiro pela \u00f3tica da demanda. Apesar da renda preservada, o consumidor enfrenta um cen\u00e1rio bastante apertado. Os n\u00edveis de endividamento (80% das fam\u00edlias) e inadimpl\u00eancia (30% das fam\u00edlias) permanecem elevados, limitando a novos compromissos financeiros. Ao mesmo tempo, o cr\u00e9dito segue caro (houve apenas uma 1\u00aa queda da SELIC), e a infla\u00e7\u00e3o ainda apresenta resist\u00eancia, mantendo o custo de vida pressionado.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse conjunto de fatores cria uma esp\u00e9cie de dicotomia econ\u00f4mica: de um lado, existe renda sustentada pelo mercado de trabalho; de outro, h\u00e1 pouco espa\u00e7o para expans\u00e3o do consumo ou para novas tomadas de cr\u00e9dito. Na pr\u00e1tica, o or\u00e7amento das fam\u00edlias permanece pressionado, o que reduz a sensa\u00e7\u00e3o de melhora na qualidade de vida e torna o consumidor no m\u00ednimo bastante cauteloso.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse comportamento acaba se refletindo diretamente nos setores produtivos. O consumidor mais seletivo tende a postergar gastos considerados menos essenciais, o que afeta diversos segmentos do varejo, inclusive o de materiais de constru\u00e7\u00e3o, especialmente em itens ligados a reformas, melhorias e interven\u00e7\u00f5es mais robustas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos desafios internos, 2026 tamb\u00e9m traz fatores adicionais de incerteza. Por se tratar de um ano eleitoral, cresce a cautela dos agentes econ\u00f4micos diante da possibilidade de mudan\u00e7as na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica ou da ado\u00e7\u00e3o de medidas de car\u00e1ter mais populista.<\/p>\n\n\n\n<p>No cen\u00e1rio externo, os efeitos da guerra no Oriente M\u00e9dio t\u00eam pressionado os pre\u00e7os internacionais do petr\u00f3leo, impactando combust\u00edveis e custos log\u00edsticos. Isso contribui para que a trajet\u00f3ria de queda da infla\u00e7\u00e3o d\u00ea lugar a um movimento de maior press\u00e3o inflacion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O quadro s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 mais preocupante porque o c\u00e2mbio tem permanecido relativamente mais est\u00e1vel, ajudando a conter press\u00f5es adicionais sobre os pre\u00e7os. Ainda assim, existe o risco de interrup\u00e7\u00e3o ou desacelera\u00e7\u00e3o no ciclo de queda da taxa b\u00e1sica de juros, que hoje \u00e9 vista como a principal \u201cbala de prata\u201d para sustentar algum dinamismo econ\u00f4mico, especialmente pensando no segundo semestre e para 2027 em diante.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, 2026 se desenha como um ano de crescimento moderado, consumo pressionado e elevada incerteza. Para o empres\u00e1rio do varejo de materiais de constru\u00e7\u00e3o, o cen\u00e1rio exige cautela nas proje\u00e7\u00f5es, efici\u00eancia na gest\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o redobrada ao comportamento de um consumidor, cada vez mais seletivo e sens\u00edvel aos pre\u00e7os, devido a suas parcas condi\u00e7\u00f5es de renda dispon\u00edvel e cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESTIMATIVAS PARA A ECONOMIA BRASILEIRA NO FECHAMENTO DE 2026:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>PIB:<\/strong> 1,8%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Infla\u00e7\u00e3o (IPCA\/IBGE)<\/strong>: 4,7%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Taxa SELIC<\/strong>: 12,75% a.a.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Taxa de C\u00e2mbio:<\/strong> 5,25<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Balan\u00e7a comercial (em US$)<\/strong>: + 72 bi<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Taxa de desocupa\u00e7\u00e3o ao fim do ano (PNADc\/IBGE):<\/strong> 5,8%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Volume de vendas do com\u00e9rcio ampliado BR (PMC IBGE\/12 meses)<\/strong>: +1,1%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Volume de servi\u00e7os BR (PMS IBGE\/12 meses)<\/strong>: +2,0%<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em que p\u00e9 est\u00e1 a economia brasileira? 2026 segue confirmando uma trajet\u00f3ria de desacelera\u00e7\u00e3o do nosso crescimento, ainda que o cen\u00e1rio esteja um pouco menos pessimista do que se projetava no in\u00edcio do ano. 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