{"id":15902,"date":"2026-04-17T08:35:49","date_gmt":"2026-04-17T11:35:49","guid":{"rendered":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=15902"},"modified":"2026-04-17T08:36:13","modified_gmt":"2026-04-17T11:36:13","slug":"logistica-reversa-tambem-e-inclusao-produtiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=15902","title":{"rendered":"Log\u00edstica reversa tamb\u00e9m \u00e9 inclus\u00e3o produtiva"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2026-04-17T08:35:49-03:00\">17 de abril de 2026<\/time><\/div>\n\n\n<p><strong>Por Thais Fagury, presidente executiva da Abea\u00e7o \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Embalagem de A\u00e7o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A log\u00edstica reversa costuma ser tratada, no debate p\u00fablico, como uma obriga\u00e7\u00e3o ambiental ou regulat\u00f3ria. No entanto, no contexto brasileiro, seu papel vai muito al\u00e9m do cumprimento de metas: ela se configura como uma das principais engrenagens de inclus\u00e3o produtiva do pa\u00eds, conectando a gest\u00e3o de res\u00edduos \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de renda e ao desenvolvimento local.<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros ajudam a dimensionar esse desafio. Dados do Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es sobre Saneamento indicam que apenas cerca de 4% dos res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos s\u00e3o reciclados formalmente no Brasil. Trata-se de um \u00edndice baixo, especialmente quando comparado ao potencial de recupera\u00e7\u00e3o de materiais dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro dessa lacuna, h\u00e1 um protagonista muitas vezes invisibilizado: os catadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicl\u00e1veis, esses trabalhadores s\u00e3o respons\u00e1veis por mais de 90% de tudo o que \u00e9 reciclado no pa\u00eds. Isso evidencia que a efici\u00eancia da log\u00edstica reversa n\u00e3o depende apenas de sistemas formais, mas est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 estrutura\u00e7\u00e3o, valoriza\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o desses profissionais na cadeia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando h\u00e1 investimento em organiza\u00e7\u00e3o e infraestrutura, os resultados s\u00e3o concretos. Estudos apontam que cooperativas estruturadas podem triplicar sua produtividade com acesso a equipamentos, capacita\u00e7\u00e3o e canais est\u00e1veis de comercializa\u00e7\u00e3o. Esse ganho operacional se traduz em aumento de renda, maior previsibilidade e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso das embalagens de a\u00e7o, esse ciclo tende a ser ainda mais eficiente. O material possui alto valor de revenda, ampla aceita\u00e7\u00e3o pela ind\u00fastria recicladora e uma vantagem operacional relevante: pode ser separado por magnetismo, o que reduz perdas e aumenta a efici\u00eancia da triagem. De acordo com a World Steel Association, o a\u00e7o \u00e9 o material mais reciclado do mundo, com mais de 650 milh\u00f5es de toneladas recicladas anualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto que iniciativas estruturadas fazem diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A atua\u00e7\u00e3o da PROLATA Reciclagem ilustra como a log\u00edstica reversa pode ir al\u00e9m da destina\u00e7\u00e3o correta de res\u00edduos. Ao conectar ind\u00fastria, cooperativas, operadores e sider\u00fargicas, a entidade contribui para organizar fluxos, qualificar processos e garantir que as embalagens de a\u00e7o retornem ao ciclo produtivo de forma eficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, estruturar essa cadeia significa aumentar a produtividade, reduzir perdas e melhorar a qualidade do material reciclado. Mas significa tamb\u00e9m algo mais amplo: gerar renda de forma mais consistente, fortalecer organiza\u00e7\u00f5es locais e ampliar as oportunidades para quem j\u00e1 sustenta a reciclagem no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto relevante est\u00e1 na reten\u00e7\u00e3o de valor na economia. Estudos do Banco Mundial indicam que cadeias de reciclagem mais estruturadas aumentam a circula\u00e7\u00e3o de renda em n\u00edvel local, potencializando os impactos econ\u00f4micos positivos da gest\u00e3o de res\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, limitar a log\u00edstica reversa a uma pauta ambiental \u00e9 reduzir seu verdadeiro alcance.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando bem estruturada, ela se consolida como uma pol\u00edtica pr\u00e1tica de desenvolvimento: reduz impactos ambientais, fortalece cadeias produtivas e promove inclus\u00e3o produtiva em larga escala.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que uma obriga\u00e7\u00e3o, trata-se de uma oportunidade concreta de alinhar efici\u00eancia operacional, responsabilidade ambiental e impacto social \u2014 e de reconhecer que, no Brasil, a economia circular j\u00e1 nasce, em grande parte, pelas m\u00e3os de quem vive dela.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Thais Fagury, presidente executiva da Abea\u00e7o \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Embalagem de A\u00e7o. A log\u00edstica reversa costuma ser tratada, no debate p\u00fablico, como uma obriga\u00e7\u00e3o ambiental ou regulat\u00f3ria. No entanto, no contexto brasileiro, seu papel vai muito al\u00e9m do cumprimento de metas: ela se configura como uma das principais engrenagens de inclus\u00e3o produtiva do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15903,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":""},"categories":[210],"tags":[1743,199,1744,95,792,541,200],"class_list":["post-15902","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-abeaco","tag-comercio","tag-economia-circular","tag-logistica-reversa","tag-meio-ambiente","tag-reciclagem","tag-varejo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sincomavi.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15902","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sincomavi.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sincomavi.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sincomavi.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sincomavi.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=15902"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sincomavi.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15902\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15905,"href":"https:\/\/sincomavi.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15902\/revisions\/15905"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sincomavi.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/15903"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sincomavi.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=15902"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sincomavi.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=15902"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sincomavi.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=15902"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}