{"id":15532,"date":"2026-03-02T15:13:02","date_gmt":"2026-03-02T18:13:02","guid":{"rendered":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=15532"},"modified":"2026-03-02T15:13:04","modified_gmt":"2026-03-02T18:13:04","slug":"o-desafio-da-retomada-do-consumo-em-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=15532","title":{"rendered":"O desafio da retomada do consumo em 2026"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2026-03-02T15:13:02-03:00\">2 de mar\u00e7o de 2026<\/time><\/div>\n\n\n<p><strong>Por Eduardo Yamashita, s\u00f3cio-diretor da Gouv\u00eaa Intelig\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O resumo de 2026 dever\u00e1 ser marcado por um fr\u00e1gil equil\u00edbrio entre o controle da infla\u00e7\u00e3o e o peso do endividamento. O consumo das fam\u00edlias brasileiras \u00e9 o principal motor da nossa economia, representando cerca de dois ter\u00e7os do PIB brasileiro e sendo pe\u00e7a central no desempenho econ\u00f4mico. Entretanto, observamos em 2025 um descolamento entre os principais indicadores macroecon\u00f4micos que norteiam o consumo e o desempenho do consumo e do varejo.<\/p>\n\n\n\n<p>De um lado, emprego, renda e renda m\u00e9dia apresentaram os melhores n\u00fameros da s\u00e9rie hist\u00f3rica. De outro, praticamente todos os setores do varejo e dos servi\u00e7os n\u00e3o acompanharam esse bom desempenho. Essa contradi\u00e7\u00e3o merece uma an\u00e1lise profunda neste in\u00edcio de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa de desemprego continua batendo recordes, registrando apenas 5,1% de pessoas desocupadas no Pa\u00eds em dezembro de 2025, o menor n\u00edvel da hist\u00f3ria. Esse patamar \u00e9 muito pr\u00f3ximo do pleno emprego, indicando que, sob essa m\u00e9trica, praticamente todas as pessoas qualificadas que procuram trabalho conseguem se recolocar em um curto espa\u00e7o de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a taxa de participa\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho, que mede o percentual da popula\u00e7\u00e3o em idade ativa que est\u00e1 ocupada ou buscando emprego, permanece baixa. O indicador do IBGE est\u00e1 atualmente em 62,6%, abaixo dos 66,5% registrados durante o boom econ\u00f4mico do in\u00edcio dos anos 2000. Isso sinaliza que uma parcela relevante da popula\u00e7\u00e3o permanece \u00e0 margem do mercado formal ou em situa\u00e7\u00e3o de desalento, ou seja, desistiu de procurar trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto para ser considerado \u00e9 a qualidade da ocupa\u00e7\u00e3o, uma vez que a metodologia do IBGE considera ocupado quem trabalhou apenas uma hora na semana, fator que mascara o subemprego e os impactos dos programas sociais do governo, que podem desincentivar o trabalho formal ou at\u00e9 mesmo impactar a declara\u00e7\u00e3o dos respondentes da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Confian\u00e7a baixa e infla\u00e7\u00e3o alta no acumulado<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A confian\u00e7a do consumidor est\u00e1 estagnada na casa dos 85 aos 90 pontos (87,3 pontos em janeiro de 2026) como apurado pela FGV, patamar muito pr\u00f3ximo do que t\u00ednhamos na pandemia, refletindo a desconfian\u00e7a das fam\u00edlias diante de sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, resultado direto de um ciclo de tr\u00eas anos de aumentos acumulados, que corroeram a renda e alteraram os h\u00e1bitos b\u00e1sicos de consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>A alta da infla\u00e7\u00e3o de alimentos no domic\u00edlio nos \u00faltimos tr\u00eas anos compromete uma fatia cada vez maior do or\u00e7amento familiar. Mesmo com a desacelera\u00e7\u00e3o recente do \u00edndice, o patamar de pre\u00e7os continua elevado, consumindo uma parcela relevante dos recursos das fam\u00edlias. Esse cen\u00e1rio resulta em uma renda estrangulada por itens de primeira necessidade e em um endividamento crescente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Massa salarial e a concentra\u00e7\u00e3o da renda<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Embora a massa salarial real tenha atingido o marco de R$ 367,6 bilh\u00f5es em dezembro de 2025, o reflexo no varejo em 2026 ainda sugere uma distribui\u00e7\u00e3o desigual.<\/p>\n\n\n\n<p>A base da pir\u00e2mide permanece altamente sens\u00edvel. Enquanto as classes mais altas direcionam o excedente para servi\u00e7os e poupan\u00e7a, as fam\u00edlias de baixa renda continuam direcionando seu or\u00e7amento para itens essenciais como moradia, transporte e alimentos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Comprometimento da renda<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O comprometimento da renda e, de forma mais preocupante, a inadimpl\u00eancia atingiu patamares recordes ao final de 2025. Atualmente, 81,2 milh\u00f5es de brasileiros t\u00eam d\u00edvidas em atraso, segundo dados da Serasa em dezembro de 2025, representando que 57% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa (PEA). Esse dado escancara a press\u00e3o sobre o or\u00e7amento das fam\u00edlias, com pouco ou nenhum espa\u00e7o para o consumo, al\u00e9m do essencial e tamb\u00e9m a dificuldade de acesso ao cr\u00e9dito, que est\u00e1 caro e limitado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Varejo com crescimento ainda t\u00edmido<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Os dados consolidados mostram que o varejo perdeu f\u00f4lego. O setor saiu de um crescimento de 4,1% em 2024 para apenas 0,1% no acumulado de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 mesmo os setores resilientes e de primeira necessidade, como supermercados e farm\u00e1cias, apresentaram redu\u00e7\u00e3o no ritmo de crescimento. J\u00e1 alguns setores como vestu\u00e1rio e m\u00f3veis apresentam varia\u00e7\u00f5es positivas apenas devido \u00e0 base de compara\u00e7\u00e3o fraca dos anos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Perspectivas para 2026<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>As perspectivas para o restante de 2026 desenham um cen\u00e1rio de transi\u00e7\u00e3o cautelosa. A retomada do consumo como motor do PIB depender\u00e1 do arrefecimento da infla\u00e7\u00e3o de alimentos, de um ciclo sustent\u00e1vel de queda nos juros para destravar o cr\u00e9dito e da recupera\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a das fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio central do ano \u00e9 converter o desemprego baixo em crescimento real, superando a barreira do endividamento recorde que ainda sufoca o or\u00e7amento dom\u00e9stico.<\/p>\n\n\n\n<p>O ambiente econ\u00f4mico deste semestre ser\u00e1 impulsionado pela elei\u00e7\u00e3o, que historicamente gera de um lado incerteza maior e, de outro, uma maior circula\u00e7\u00e3o de recursos na economia via incentivos governamentais e programas sociais que devem injetar dinheiro novo na economia, mas que, ao mesmo tempo, geram press\u00e3o inflacion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, 2026 deve ser um ano de recupera\u00e7\u00e3o gradual. O bolso das fam\u00edlias permanece sob press\u00e3o, priorizando itens essenciais em detrimento do consumo discricion\u00e1rio, com aten\u00e7\u00e3o redobrada para uma potencial ressaca em 2027 no ano p\u00f3s-elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Eduardo Yamashita, s\u00f3cio-diretor da Gouv\u00eaa Intelig\u00eancia. O resumo de 2026 dever\u00e1 ser marcado por um fr\u00e1gil equil\u00edbrio entre o controle da infla\u00e7\u00e3o e o peso do endividamento. O consumo das fam\u00edlias brasileiras \u00e9 o principal motor da nossa economia, representando cerca de dois ter\u00e7os do PIB brasileiro e sendo pe\u00e7a central no desempenho econ\u00f4mico. 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