{"id":15145,"date":"2026-01-05T08:45:00","date_gmt":"2026-01-05T11:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=15145"},"modified":"2026-01-05T08:14:35","modified_gmt":"2026-01-05T11:14:35","slug":"o-que-sera-do-varejo-de-materiais-de-construcao-em-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=15145","title":{"rendered":"O que ser\u00e1 do varejo de material de constru\u00e7\u00e3o em 2026?"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2026-01-05T08:45:00-03:00\">5 de janeiro de 2026<\/time><\/div>\n\n\n<p><strong>Por Jaime Vasconcellos, economista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ano de 2026 dever\u00e1 se consolidar como um per\u00edodo de pouco crescimento no varejo de material de constru\u00e7\u00e3o, inserido em um ambiente de desacelera\u00e7\u00e3o da economia brasileira, juros ainda elevados por boa parte do ano e menor f\u00f4lego do consumo das fam\u00edlias. Ap\u00f3s ciclos de expans\u00e3o sustentados por est\u00edmulos fiscais, maior oferta de cr\u00e9dito e aquecimento do mercado imobili\u00e1rio, o setor passou desde a segunda metade de 2025 a operar em um contexto menos favor\u00e1vel. Tanto que segundo o IBGE, o volume de vendas no acumulado no ano (at\u00e9 outubro) \u00e9 positivo em apenas 0,1% no pa\u00eds e apresenta queda de 1,5% no Estado de S\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A forte depend\u00eancia do segmento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 renda dispon\u00edvel das fam\u00edlias e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de financiamento ser\u00e1 um dos principais vetores de limita\u00e7\u00e3o do desempenho em 2026. A expectativa de or\u00e7amentos dom\u00e9sticos mais apertados, aliada \u00e0 necessidade de recomposi\u00e7\u00e3o de poupan\u00e7a ap\u00f3s anos de infla\u00e7\u00e3o elevada e aumento do endividamento, tende a provocar um redirecionamento da renda para itens considerados essenciais. Segmentos como alimenta\u00e7\u00e3o e medicamentos devem absorver parcela maior do or\u00e7amento familiar, reduzindo o espa\u00e7o para grandes gastos adicionais e limitando a demanda por bens dur\u00e1veis e semidur\u00e1veis, entre eles materiais de constru\u00e7\u00e3o voltados a reformas mais amplas e projetos de maior valor agregado.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o varejo j\u00e1 enfrenta a concorr\u00eancia crescente do pr\u00f3prio setor de servi\u00e7os, que tem abocanhado uma fatia cada vez maior da renda das fam\u00edlias. Gastos com turismo, lazer, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte e as famosas <em>bets<\/em> seguem em trajet\u00f3ria de expans\u00e3o, competindo diretamente com o com\u00e9rcio pela renda dispon\u00edvel. Esse movimento refor\u00e7a a seletividade do consumo e contribui para a posterga\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es de compra ligadas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e \u00e0 reforma, sobretudo aquelas que dependem de cr\u00e9dito ou envolvem desembolsos mais elevados.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, grandes obras residenciais e reformas estruturais tendem a perder dinamismo, afetando especialmente a venda de insumos b\u00e1sicos como cimento, a\u00e7o, esquadrias e revestimentos de maior padr\u00e3o. Em contrapartida, o setor n\u00e3o dever\u00e1 enfrentar uma retra\u00e7\u00e3o generalizada. A natureza parcialmente essencial do varejo de materiais de constru\u00e7\u00e3o garante alguma sustenta\u00e7\u00e3o de demanda, principalmente em produtos ligados \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o, pequenos reparos e melhorias pontuais nos im\u00f3veis. Itens como tintas, materiais hidr\u00e1ulicos e el\u00e9tricos b\u00e1sicos, ferramentas manuais, jardinagem e produtos de reposi\u00e7\u00e3o devem apresentar desempenho relativamente melhor ao longo do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O mercado imobili\u00e1rio continuar\u00e1 exercendo influ\u00eancia relevante, ainda que de forma mais moderada. Lan\u00e7amentos mais seletivos, foco em im\u00f3veis de menor valor e projetos voltados \u00e0s faixas de renda m\u00e9dia e m\u00e9dia-baixa podem gerar demanda localizada por materiais. Os impactos da amplia\u00e7\u00e3o do programa Minha Casa Minha Vida (faixa 4) e as os avan\u00e7os nas linhas de cr\u00e9dito para a compra de im\u00f3veis e para a compra de materiais de constru\u00e7\u00e3o (Programa Reforma Casa Brasil) podem atuar como fatores de suporte, ainda que insuficientes para impulsionar um crescimento mais robusto do setor.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista empresarial, 2026 exigir\u00e1 do varejo de materiais de constru\u00e7\u00e3o uma postura mais pragm\u00e1tica e estrat\u00e9gica. Margens pressionadas, custos financeiros elevados e maior competi\u00e7\u00e3o entre os<em> players<\/em> devem limitar a rentabilidade. A gest\u00e3o eficiente de estoques, a negocia\u00e7\u00e3o de prazos com fornecedores, o controle rigoroso das despesas operacionais e a prioriza\u00e7\u00e3o de produtos de maior giro ser\u00e3o decisivos para a sustentabilidade dos neg\u00f3cios. A capacidade de adapta\u00e7\u00e3o ao novo perfil de consumo, mais seletivo e sens\u00edvel a pre\u00e7o, ser\u00e1 um diferencial competitivo relevante.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, 2026 se desenha como um ano de cuidados e ajustes para o varejo de materiais de constru\u00e7\u00e3o. Em um cen\u00e1rio de menor ritmo econ\u00f4mico e maior disputa pela renda das fam\u00edlias, o desempenho do setor depender\u00e1 menos da expans\u00e3o da demanda e mais da efici\u00eancia, do planejamento e da capacidade das empresas de alinhar expectativas a um ambiente de pouco (ou nenhum) crescimento e desafios amplificados.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jaime Vasconcellos, economista. 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