{"id":15053,"date":"2025-12-08T10:08:00","date_gmt":"2025-12-08T13:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=15053"},"modified":"2025-12-05T16:23:51","modified_gmt":"2025-12-05T19:23:51","slug":"a-esperada-desaceleracao-da-economia-e-do-comercio-no-3-trimestre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=15053","title":{"rendered":"A esperada desacelera\u00e7\u00e3o da economia (e do com\u00e9rcio) no 3\u00b0 trimestre"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2025-12-08T10:08:00-03:00\">8 de dezembro de 2025<\/time><\/div>\n\n\n<p><strong>Por Jaime Vasconcellos, economista.<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p>Como era aguardado, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro reduziu o seu ritmo de forma n\u00edtida no 3\u00ba trimestre de 2025, refletindo a perda de f\u00f4lego da atividade ap\u00f3s um in\u00edcio de ano mais robusto. A combina\u00e7\u00e3o de juros elevados e o consequente arrefecimento do consumo das fam\u00edlias foram os principais fatores para um crescimento mais modesto no per\u00edodo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos aos n\u00fameros: segundo o IBGE, o PIB contou com um crescimento marginal de apenas 0,1% em rela\u00e7\u00e3o ao 2\u00ba trimestre, praticamente uma estagna\u00e7\u00e3o do indicador e ap\u00f3s avan\u00e7os anteriores de 0,3% e 1,5%. J\u00e1 na compara\u00e7\u00e3o com o 3\u00b0 trimestre de 2024 o avan\u00e7o foi 1,8%, por\u00e9m, esta \u00e9 a menor taxa na compara\u00e7\u00e3o anual desde o in\u00edcio de 2022.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Varia\u00e7\u00e3o trimestral (%) do PIB brasileiro total e do Valor Adicionado do com\u00e9rcio \u2013 Trimestre contra mesmo trimestre do ano anterior<\/h2>\n\n\n<style>.kb-image15053_306190-2f .kb-image-has-overlay:after{opacity:0.3;}<\/style>\n<div class=\"wp-block-kadence-image kb-image15053_306190-2f\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"290\" src=\"https:\/\/sincomavi.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pib-1.png\" alt=\"\" class=\"kb-img wp-image-15055\" srcset=\"https:\/\/sincomavi.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pib-1.png 512w, https:\/\/sincomavi.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/pib-1-300x170.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Fonte: IBGE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para o com\u00e9rcio, a situa\u00e7\u00e3o apresenta a mesma trajet\u00f3ria, por\u00e9m com arrefecimento ainda mais agudo. Se o PIB brasileiro aumentou apenas 1,8%, o valor adicionado do com\u00e9rcio brasileiro \u00e0 economia no 3\u00ba trimestre foi metade, 0,9%. Lembrando que houve crescimento de 1,0% do com\u00e9rcio no 2\u00ba semestre e de razo\u00e1veis 2,4% no 1\u00b0.<\/p>\n\n\n\n<p>O principal motivador deste freio econ\u00f4mico nesta segunda metade do ano, impactando primeiro e mais fortemente inclusive o pr\u00f3prio setor comercial, foi o enfraquecimento do consumo das fam\u00edlias. Este consumo, que representa 64% do PIB brasileiro pela \u00f3tica da demanda, possui taxas de crescimento cada vez menores desde o fim do ano passado e atingiu t\u00edmidos 0,4% de aumento na compara\u00e7\u00e3o anual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E o consumo tem dificuldades pois, com o objetivo de combater a infla\u00e7\u00e3o, vivenciamos um cen\u00e1rio de juros elevados que encarece o cr\u00e9dito e dificulta manter mais controlados os n\u00edveis de endividamento e inadimpl\u00eancia das fam\u00edlias. Por isso era esperada esta desacelera\u00e7\u00e3o da economia brasileira, conforme foi plenamente percebido nestes resultados do 3\u00ba trimestre. E o com\u00e9rcio, mais sens\u00edvel a este consumidor final, desacelerou ainda mais intensamente que o PIB.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este quadro n\u00e3o mudar\u00e1 no 4\u00b0 trimestre de 2025 ou mesmo para 2026. Os juros altos continuar\u00e3o a desacelerar a economia brasileira, que deve crescer 2,2% esse ano e no m\u00e1ximo 1,8% ano que vem. No entanto, antes de demonizar juros t\u00e3o elevados, o que sem d\u00favidas \u00e9 corrosivo \u00e0 economia, \u00e9 preciso compreender os motivos que fazem termos uma taxa b\u00e1sica t\u00e3o alta. Ainda que haja press\u00f5es pontuais na infla\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica vindo desde fatores clim\u00e1ticos ou at\u00e9 via c\u00e2mbio, n\u00e3o podemos desprezar a atual pol\u00edtica de amplos gastos p\u00fablicos visando estimular a demanda interna.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, estamos j\u00e1 h\u00e1 algum tempo frente a um desequil\u00edbrio entre as atuais pol\u00edticas fiscais expansionistas (elevados gastos) e medidas monet\u00e1rias restritivas (altos juros), e isso contribui para cen\u00e1rio pouco sustent\u00e1vel, no qual empres\u00e1rios e consumidores convivem com a pior parte das duas pol\u00edticas, isto \u00e9, com cr\u00e9dito caro, pre\u00e7os persistentes e baixo crescimento econ\u00f4mico. E se n\u00e3o fosse a produtiva agropecu\u00e1ria brasileira e o nosso mercado de trabalho ainda aquecido, ambos funcionando como dois sustentadores da pr\u00f3pria economia em 2025, os n\u00fameros poderiam ser at\u00e9 mais desalentadores.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jaime Vasconcellos, economista. Como era aguardado, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro reduziu o seu ritmo de forma n\u00edtida no 3\u00ba trimestre de 2025, refletindo a perda de f\u00f4lego da atividade ap\u00f3s um in\u00edcio de ano mais robusto. 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