{"id":15023,"date":"2025-12-02T15:00:35","date_gmt":"2025-12-02T18:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=15023"},"modified":"2025-12-02T15:00:36","modified_gmt":"2025-12-02T18:00:36","slug":"sera-que-o-funil-de-marketing-morreu-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=15023","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que o funil de marketing morreu mesmo?"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2025-12-02T15:00:35-03:00\">2 de dezembro de 2025<\/time><\/div>\n\n\n<p><strong>Por Rakky Curvelo, gerente de marketing da <a href=\"https:\/\/br.hubspot.com\/\">HubSpot Brasil<\/a><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagine uma marca brasileira de roupas. Ela investe em uma campanha de conte\u00fado: posts sobre looks para festas, artigos no blog sobre moda, landing pages otimizadas com call-to-actions perfeitos. Tudo muito pensado. Mas ap\u00f3s meses, os n\u00fameros n\u00e3o acompanham o investimento feito. Enquanto isso, um consumidor descobriu a marca no TikTok por um v\u00eddeo de uma personal stylist, pesquisou no Google e recebeu uma resposta de IA resumindo reviews e s\u00f3 ent\u00e3o chegou ao site da marca. Quatro canais, caminhos n\u00e3o-lineares, m\u00faltiplos pontos de contato e uma certeza: o funil tradicional n\u00e3o tem mapa para isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa frustra\u00e7\u00e3o se repete em centenas de empresas brasileiras todos os dias. O funil de marketing cl\u00e1ssico, ou seja, aquele modelo linear que aprendemos e aplicamos por anos, com etapas bem definidas de consci\u00eancia, considera\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o consegue mais capturar a realidade da jornada de compra. E a culpa n\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m, foi s\u00f3 o mundo mudou. De novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os smartphones explodiram em popularidade, as lojas f\u00edsicas n\u00e3o desapareceram, elas se transformaram. O varejo percebeu que n\u00e3o se tratava mais de escolher entre loja virtual ou f\u00edsica, mas de integrar ambas em uma \u00fanica experi\u00eancia. De acordo com o&nbsp;<a href=\"https:\/\/business.google.com\/br\/think\/consumer-insights\/mapeamento-jornada-do-cliente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>Think with Google<\/u><\/a>, os consumidores interagem com mais de 130 pontos de contato no celular por dia.&nbsp;<a href=\"https:\/\/searchengineland.com\/google-search-zero-click-study-2024-443869\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>Dados<\/u><\/a>&nbsp;mostram que 60% das buscas no Google terminam sem que o usu\u00e1rio clique em qualquer link. Isso significa que as pessoas est\u00e3o contornando os sites das marcas.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora,&nbsp;<a href=\"https:\/\/br.hubspot.com\/ofertas\/marketing-reality-25\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>Millennials e Gera\u00e7\u00e3o Z s\u00e3o as prioridades em estrat\u00e9gias B2B e B2C<\/u><\/a>. A Gera\u00e7\u00e3o Z cresceu em um mundo onde a publicidade era previs\u00edvel. Para eles, a criatividade e a autenticidade se tornaram moedas de troca. Querem marcas que entendam seu contexto cultural, que falem sua l\u00edngua. Millennials, por sua vez, se tornaram adultos no meio de duas realidades: antes e depois da internet mudar tudo. Eles entendem fragmenta\u00e7\u00e3o porque viveram na transi\u00e7\u00e3o. E, consequentemente, entendem que jornadas n\u00e3o s\u00e3o lineares.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o precisamos adivinhar como ser\u00e1 o futuro. Marcas globais j\u00e1 est\u00e3o vivendo nele. A Sephora percebeu que conte\u00fado n\u00e3o precisa ter um \u00fanico objetivo. No TikTok, eles n\u00e3o fazem v\u00eddeos separados para &#8220;conhecimento do produto&#8221; e &#8220;p\u00f3s-compra&#8221;. Fazem um \u00fanico v\u00eddeo onde influenciadores testam produtos que j\u00e1 amam, criando valor para novos clientes e refor\u00e7ando a experi\u00eancia dos antigos. Qualquer conte\u00fado vira ponto de entrada.<\/p>\n\n\n\n<p>A Netflix faz algo parecido com sua comunica\u00e7\u00e3o. Em vez de campanhas separadas para aquisi\u00e7\u00e3o, engajamento e reten\u00e7\u00e3o, unificou suas frentes criativas. Trailers virais espec\u00edficos para suas audi\u00eancias em diferentes localidades (no Brasil, os an\u00fancios de \u201cCaramelo\u201d, na Irlanda, os de \u201cHouse of Guinness\u201d), notifica\u00e7\u00f5es contextualizadas, tudo funciona em tempo real, sem esperar que o usu\u00e1rio &#8220;avance&#8221; em uma etapa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Afinal, o que isso significa na pr\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Imagina que voc\u00ea trabalha em uma startup de software de gest\u00e3o. At\u00e9 ontem, sua estrat\u00e9gia era: criar conte\u00fado para atrair pessoas ao blog, educ\u00e1-las sobre o problema, depois apresentar a solu\u00e7\u00e3o e converter. Linear. Previs\u00edvel. Cada coisa no seu lugar. Hoje, voc\u00ea precisa estar onde seus clientes est\u00e3o. Se antes, isso significava construir autoridade para aparecer no topo da pesquisa do Google, hoje voc\u00ea precisa estar na resposta de IA, no Google, no ChatGPT, no Claude, no Gemini\u2026 Se seus clientes est\u00e3o no LinkedIn trocando ideias com colegas sobre problemas de gest\u00e3o, voc\u00ea precisa estar naquela conversa.<\/p>\n\n\n\n<p>O diferencial reside nas intera\u00e7\u00f5es personalizadas e contextualizadas, onde se reconhece quem \u00e9 a pessoa, em que momento ela est\u00e1, al\u00e9m de oferecer exatamente o que faz sentido para aquela situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas metodologias j\u00e1 come\u00e7aram a estruturar isso, considerando quatro est\u00e1gios interconectados: primeiro, voc\u00ea verbaliza a identidade e a voz \u00fanica da sua marca, porque a IA amplifica o que j\u00e1 \u00e9 aut\u00eantico em voc\u00ea. Depois, orienta mensagens altamente personalizadas usando dados unificados do cliente. Em seguida, amplifica esse conte\u00fado em todos os canais onde seus clientes est\u00e3o, inclusive nos espa\u00e7os onde a IA fornece respostas. Por fim, refina continuamente com base em performance em tempo real.<\/p>\n\n\n\n<p>A IA, que assusta muita gente com a ideia de automa\u00e7\u00e3o, pode ser sua maior aliada. Quando usada corretamente, sempre combinada com criatividade e estrat\u00e9gia humana, ela permite que pequenos times fa\u00e7am o trabalho que antes exigia equipes tr\u00eas vezes maiores. Voc\u00ea consegue criar varia\u00e7\u00f5es personalizadas de conte\u00fado e segmentar audi\u00eancias com precis\u00e3o, al\u00e9m de testar hip\u00f3teses rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os desafios n\u00e3o sa\u00edram de cena<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a traz desafios reais e acredito que a fragmenta\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro deles. Isso exige uma clareza estrat\u00e9gica que muitas empresas ainda n\u00e3o t\u00eam, pois estar em todos os lugares sem clareza nenhuma \u00e9 pior que estar em poucos lugares estrat\u00e9gicos. O segundo desafio \u00e9 a privacidade de dados e a regula\u00e7\u00e3o. Quanto mais voc\u00ea quiser personalizar, mais dados precisa coletar, mas a paisagem regulat\u00f3ria est\u00e1 ficando mais complexa.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro \u00e9 o ru\u00eddo. Quando todos t\u00eam acesso \u00e0s mesmas ferramentas de IA, a criatividade humana vira o diferencial \u00fanico. Um e-mail com conte\u00fado gerado por IA, sem estrat\u00e9gia por tr\u00e1s, vai para o spam junto com todos os outros. E h\u00e1 um quarto desafio, talvez o mais delicado: muitas equipes de marketing cresceram aprendendo a antiga metodologia. Mudar mindset \u00e9 dif\u00edcil, pois requer investimento em treinamento, experimenta\u00e7\u00f5es e estar aberto a poss\u00edveis falhas iniciais.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que o funil n\u00e3o morreu, ele apenas deixou de ser a verdade absoluta. Assim como o varejo n\u00e3o desapareceu quando chegou o e-commerce, o marketing n\u00e3o vai desaparecer quando a IA se popularizar, no entanto, ele vai se parecer cada vez menos com aquilo que aprendemos nas aulas de marketing tradicional. A verdade \u00e9 que esse modelo que estamos construindo tamb\u00e9m vai envelhecer. Em cinco, dez anos, haver\u00e1 outra ruptura, outra tecnologia, outra gera\u00e7\u00e3o repensando tudo. E ent\u00e3o faremos isso tudo de novo, porque o marketing nunca vai ser est\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 o problema. O problema mesmo \u00e9 ficar parado enquanto o mundo se move. E a melhor estrat\u00e9gia para os pr\u00f3ximos anos? Desenvolver a humildade de saber que tudo que constru\u00edmos hoje vai precisar ser reconstru\u00eddo amanh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Rakky Curvelo, gerente de marketing da HubSpot Brasil. Imagine uma marca brasileira de roupas. Ela investe em uma campanha de conte\u00fado: posts sobre looks para festas, artigos no blog sobre moda, landing pages otimizadas com call-to-actions perfeitos. Tudo muito pensado. Mas ap\u00f3s meses, os n\u00fameros n\u00e3o acompanham o investimento feito. 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