{"id":14374,"date":"2025-09-09T09:47:00","date_gmt":"2025-09-09T12:47:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=14374"},"modified":"2025-09-09T08:55:00","modified_gmt":"2025-09-09T11:55:00","slug":"o-colapso-do-funil-linear-diante-da-nova-jornada-do-consumidor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=14374","title":{"rendered":"O colapso do funil linear diante da nova jornada do consumidor"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-default\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2025-09-09T09:47:00-03:00\">9 de setembro de 2025<\/time><\/div>\n\n\n<p><i style=\"color: rgb(34, 34, 34); font-family: Arial; font-size: 16px; text-align: center; white-space-collapse: collapse;\"><strong>Por Adilson Batista, especialista em IA Generativa e CIO da Cadastra<\/strong><\/i>.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu deixei de enxergar a jornada do consumidor como uma escadinha h\u00e1 muito tempo. O consumidor n\u00e3o desce um funil previs\u00edvel, ele se move em loops entre descoberta e avalia\u00e7\u00e3o, guiado por vieses cognitivos, comparando marcas em m\u00faltiplas fontes, pulando etapas e voltando quando quer. O Google chama esse movimento de&nbsp;<em>messy middle<\/em>: um meio ca\u00f3tico onde explora\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o se sobrep\u00f5em e definem quem conquista a prefer\u00eancia final. N\u00e3o se trata de uma exce\u00e7\u00e3o no consumo B2C.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A McKinsey j\u00e1 mostrou que a sa\u00edda do funil cl\u00e1ssico levou a caminhos circulares de decis\u00e3o, e o Gartner refor\u00e7a que, no B2B, 75% dos compradores preferem uma experi\u00eancia sem vendedor, retornando v\u00e1rias vezes \u00e0s tarefas de valida\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e escolha. No plano dos canais, a linearidade \u00e9 ainda mais insustent\u00e1vel: em um estudo com 46 mil consumidores, 73% usaram m\u00faltiplos pontos de contato na mesma jornada, enquanto o marketing opera, em m\u00e9dia, em dez canais ao mesmo tempo. A realidade \u00e9 omnicanal, e a complexidade \u00e9 inevit\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que isso exige das lideran\u00e7as \u00e9 a coragem de substituir a met\u00e1fora do funil por uma vis\u00e3o viva e adaptativa da jornada. Isso come\u00e7a por dados em tempo real, porque jornadas que mudam a cada clique n\u00e3o podem ser lidas com relat\u00f3rios defasados. Ainda hoje, cerca de dois em cada cinco times n\u00e3o t\u00eam acesso a dados vivos para fun\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, e apenas 31% est\u00e3o satisfeitos com a unifica\u00e7\u00e3o de fontes. Isso se soma \u00e0 subutiliza\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica do martech: l\u00edderes reportam usar apenas um ter\u00e7o das ferramentas dispon\u00edveis, e a frustra\u00e7\u00e3o operacional frequentemente empurra times de volta ao velho funil, porque \u00e9 mais simples de gerir, ainda que seja ilus\u00f3rio.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E existe ainda a quest\u00e3o da governan\u00e7a: com as idas e vindas sobre o futuro dos cookies de terceiros, a transi\u00e7\u00e3o para dados prim\u00e1rios e consentimento granular n\u00e3o \u00e9 mais uma escolha, mas uma necessidade para quem deseja sustentar personaliza\u00e7\u00e3o em escala. A provoca\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: se um dashboard premia CPC e MQL, mas ignora o tempo de considera\u00e7\u00e3o no loop, n\u00e3o estamos gerenciando jornadas reais, mas apenas t\u00e1ticas de canal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A intelig\u00eancia artificial pode ser a chave para romper essa pris\u00e3o mental do funil. Ela tem o potencial de transformar jornadas em sistemas adaptativos, capazes de decidir, aprender e criar conte\u00fado em tempo real. O conceito de Next Best Action permite que marcas escolham o pr\u00f3ximo passo individualmente para cada consumidor, orquestrando canais de forma contextual.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Agentes de IA podem substituir campanhas engessadas, guiando o cliente em conversas cont\u00ednuas do interesse ao p\u00f3s-venda. A medi\u00e7\u00e3o de impacto tamb\u00e9m muda: experimentos combinados a modelos de mix de marketing ajudam a calibrar incrementos de canal, corrigindo vieses de atribui\u00e7\u00e3o. O efeito \u00e9 pr\u00e1tico: intera\u00e7\u00f5es deixam de empurrar clientes por um trilho e passam a se ajustar a cada evid\u00eancia de comportamento, algo que j\u00e1 se reflete em n\u00fameros expressivos \u2014 s\u00f3 no \u00faltimo pico de temporada, quase 20% das compras online foram influenciadas por IA, tanto por recomenda\u00e7\u00f5es, ofertas ou intera\u00e7\u00f5es conversacionais. Jornada din\u00e2mica n\u00e3o \u00e9 prometer personaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 provar que a pr\u00f3xima a\u00e7\u00e3o muda porque o consumidor mudou agora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, quatro barreiras costumam travar as empresas. A primeira \u00e9 cultural: enquanto o funil for o KPI oficial, times otimizar\u00e3o relat\u00f3rios, n\u00e3o jornadas vivas. Existe a barreira estrutural, onde dados fragmentados e atrasados inviabilizam orquestra\u00e7\u00e3o. A terceira \u00e9 tecnol\u00f3gica: usar apenas 33% do stack mant\u00e9m ferramentas como desculpa para n\u00e3o avan\u00e7ar. E a quarta est\u00e1 na confian\u00e7a, pois com m\u00e9tricas fr\u00e1geis, poucos l\u00edderes autorizam abandonar um modelo que, embora falho, transmite sensa\u00e7\u00e3o de controle. A isso se soma a complexidade regulat\u00f3ria e o peso da mudan\u00e7a organizacional, uma vez que menos de 40% das transforma\u00e7\u00f5es digitais batem suas metas, o que mostra que cultura e talento pesam mais que a tecnologia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O caminho que enxergo para virar esse jogo passa por trocar etapas fixas por jobs do cliente, aceitar o loop como regra e reorganizar experi\u00eancias a partir dele. Dados de primeira parte devem ser tratados como produto e unificados em um n\u00facleo acion\u00e1vel, reduzindo o tempo entre sinal e a\u00e7\u00e3o. Campanhas precisam evoluir para miss\u00f5es de agentes inteligentes, que conectam dados, decis\u00f5es e conte\u00fado em jornadas cont\u00ednuas. A medi\u00e7\u00e3o deve se libertar do \u00faltimo clique, substitu\u00edda por incrementos comprovados. E os objetivos precisam migrar de cliques para valor de neg\u00f3cio: receita, margem, custo de servir. Pesquisas da McKinsey e da BCG j\u00e1 mostram a correla\u00e7\u00e3o direta entre maturidade em personaliza\u00e7\u00e3o e crescimento sustent\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O colapso do funil linear n\u00e3o \u00e9 o fim de uma era, mas o convite a um novo modelo mental. A vantagem competitiva n\u00e3o vir\u00e1 de prever o caminho, e sim de responder melhor ao que o cliente acabou de fazer. Quem mede lift todo m\u00eas, aprende toda semana e decide todo dia que n\u00e3o precisa de um funil para se orientar. Precisa de um sistema vivo e de l\u00edderes preparados para assumir que, no fundo, a jornada \u00e9 t\u00e3o fluida quanto o pr\u00f3prio consumidor.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-default\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Adilson Batista, especialista em IA Generativa e CIO da Cadastra. Eu deixei de enxergar a jornada do consumidor como uma escadinha h\u00e1 muito tempo. 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