{"id":13431,"date":"2025-03-20T11:07:07","date_gmt":"2025-03-20T14:07:07","guid":{"rendered":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=13431"},"modified":"2025-03-20T11:07:09","modified_gmt":"2025-03-20T14:07:09","slug":"carta-de-conjuntura-marco-de-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sincomavi.org.br\/?p=13431","title":{"rendered":"Carta de Conjuntura &#8211; mar\u00e7o de 2025"},"content":{"rendered":"\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-default\"\/>\n\n\n<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2025-03-20T11:07:07-03:00\">20 de mar\u00e7o de 2025<\/time><\/div>\n\n\n<p><strong>Por Jaime Vasconcellos, economista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o esperado por praticamente todos os analistas de mercado, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (COPOM) do Banco Central elevou no \u00faltimo dia 19 novamente a taxa b\u00e1sica de juros da economia brasileira em 1 ponto percentual, passando-a a 14,25% ao ano, o maior patamar desde agosto de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o era esperado exatamente por ter sido alardeado ainda no fim do ano passado. O Banco Central tamb\u00e9m j\u00e1 deixou claro que novos aumentos acontecer\u00e3o, por\u00e9m citou que dever\u00e1 haver uma modera\u00e7\u00e3o na subida de juros esperada para maio, o que nos parece claro, portanto, que h\u00e1 horizontes para a finaliza\u00e7\u00e3o desta trajet\u00f3ria ascendente de juros em nosso pa\u00eds. E se sabe que, a despeito de sua necessidade, juro mais alto n\u00e3o \u00e9 bom para a economia real (e evidentemente aos setores de com\u00e9rcio e servi\u00e7os).<\/p>\n\n\n\n<p>Sabe-se que a pol\u00edtica monet\u00e1ria restritiva, isto \u00e9, de aumento de juros, tem por base conter a infla\u00e7\u00e3o, ainda que por via de esfriamento da economia, portanto, tende a conter a infla\u00e7\u00e3o da demanda. O que ocorre neste momento no Brasil \u00e9 uma mistura dos motivos inflacion\u00e1rios. H\u00e1 sim um sobreaquecimento da demanda das fam\u00edlias, haja visto o crescimento de 4,8% do consumo das fam\u00edlias no PIB de 2024 (que cresceu em sua totalidade 3,4%), e isso \u00e9 demonstrado nos pre\u00e7os por meio de uma press\u00e3o dos n\u00edveis m\u00e9dios dos custos de servi\u00e7os, que em 12 meses quase atinge os 6%.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, tamb\u00e9m h\u00e1 uma press\u00e3o advinda da oferta (ou da menor oferta) de algumas mercadorias, em especial de alimentos cuja produ\u00e7\u00e3o foi impactada por fatores clim\u00e1ticos, entre outros, sejam em raz\u00e3o do agroneg\u00f3cio dom\u00e9stico ou internacional (ex. Caf\u00e9, milho, chocolate, etc). Nesse pilar da oferta, o aumento de juros \u00e9 praticamente inofensivo, bastando apenas a paci\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o para que tais choques se amenizem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m da demanda dom\u00e9stica aquecida e de choques de oferta, temos tamb\u00e9m o efeito do c\u00e2mbio desvalorizado, que eleva pre\u00e7os de mercadorias importadas. Ao fim do ano passado, com as incertezas quanto \u00e0s pol\u00edticas do Presidente Trump, aliadas com as justific\u00e1veis d\u00favidas quanto \u00e0 sa\u00fade das contas p\u00fablicas brasileiras, o c\u00e2mbio sobrep\u00f4s uma taxa de R$6,20, causando ainda mais temor de uma press\u00e3o adicional nos pre\u00e7os dom\u00e9sticos. Como em 2025 as sobretaxas americanas pouco chegaram ao Brasil, a arrecada\u00e7\u00e3o de impostos em janeiro veio acima das expectativas e as mudan\u00e7as de presid\u00eancia no nosso Banco Central n\u00e3o causaram perda de confiabilidade nem altera\u00e7\u00e3o dos objetivos necess\u00e1rios por parte da pol\u00edtica monet\u00e1ria, o c\u00e2mbio baixou significativamente e garantiu menor press\u00e3o de pre\u00e7os de produtos estrangeiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante deixar claro que o fantasma inflacion\u00e1rio est\u00e1 longe de ser contido, at\u00e9 porque a atual infla\u00e7\u00e3o \u00e9 mais persistente do que explosiva, ainda que n\u00e3o se esteja \u201csub Judice\u201d qual a mais perigosa (ambas). Em resumo, mantemo-nos cautelosos a este cen\u00e1rio no qual para aprisionar o monstro inflacion\u00e1rio temos de conviver com menor ritmo de crescimento econ\u00f4mico. N\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda. Por isso, \u00e9 momento mais que essencial cuidar bem dos or\u00e7amentos dom\u00e9sticos e empresariais e ficar de olho no que e como o ambiente macroecon\u00f4mico nos impactar\u00e1, pois mesmo parecendo distante, ele sempre nos atinge.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESTIMATIVAS PARA O FECHAMENTO DE 2025:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>PIB:<\/strong> 2,0%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Infla\u00e7\u00e3o (IPCA\/IBGE)<\/strong>: 5,9%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Taxa SELIC<\/strong>: 15% a.a.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Taxa de C\u00e2mbio:<\/strong> 6,00<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Balan\u00e7a comercial (em US$)<\/strong>: + 75 bi<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Taxa de desocupa\u00e7\u00e3o ao fim do ano (PNADc\/IBGE):<\/strong> 6,7%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Volume de vendas do com\u00e9rcio ampliado BR (PMC IBGE\/12 meses)<\/strong>: +1,2%<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Volume de servi\u00e7os BR (PMS IBGE\/12 meses)<\/strong>: +2,0%<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-default\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jaime Vasconcellos, economista. 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